domingo, 12 de dezembro de 2010

3291. Conferência de Cancún consegue acordo sobre clima

Uma longa ovação culminou ontem a conferência sobre o clima em Cancún, no México. A salva de palmas justificou-se pelo acordo a que foi possível chegar para os países em desenvolvimento reduzirem o abate de árvores nas suas florestas tropicais. Foi ainda aberto caminho para a redução dos gases de efeito-estufa, tema a ser discutido na conferência de Durban, marcada para finais de 2011.
O aspecto central do acordo México é a definição de um preço para cada árvore, a ser financiado por um Fundo Verde, que deverá ser activado em 2020.
Para a ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, o "acordo restabelece a confiança na possibilidade" de um "acordo climático vinculativo", referiu à Lusa, a partir da estância turística mexicana.
Também o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, elogiou os resultados da conferência, que de certo modo fizeram esquecer o fracasso da reunião antecedente de Copenhaga, em 2009, lembrando o papel da União Europeia no processo. "A Europa trabalhou o ano inteiro para salvar o processo das Nações Unidas contra as alterações climáticas e para a possibilidade de se alcançar um acordo global", disse, acrescentando que "este acordo representa um importante passo em frente no caminho de um quadro integral e vinculativo no que diz respeito às alterações climáticas". O aspecto vinculativo continua a ser o mais controverso e, por isso, foi remetido para a reunião na África do Sul.
Dos 194 países representados, só a Bolívia contestou o acordo – criticando, por exemplo, a falta de vontade para renovar o Protocolo de Quioto. Mas o acordo foi apoiado por países como os EUA, Japão e China, que mais têm contestado a necessidade de medidas vinculativas e que, nos 12 dias em que durou a reunião de Cancún, foram dos que mais obstáculos levantaram às negociações.
O chefe da delegação americana, Todd Stern, elogiou o documento final, considerando-o "um passo em frente", ainda que "não vá, obviamente, resolver a questão climática". Mas, após o desaire de Copenhaga, o facto de alguns pontos em discussão nesta reunião terem sido inscritos no documento de Cancún, pode ser entendido como um avanço.
Permanecem por resolver questões práticas ligadas ao financiamento do Fundo Verde. Em Copenhaga, os países desenvolvidos concordaram em mobilizar 100 mil milhões de dólares, por ano, a partir de 2020.
A gestão daquela verba estará inicialmente entregue ao Banco Mundial, de acordo com uma proposta da UE, dos EUA e do Japão. Posteriormente, será criado um órgão de administração, formado equitativamente por países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento. A forma do seu posterior financiamento é que está ainda por estabelecer, estando em estudo várias opções.
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Fonte: DN

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