domingo, 23 de janeiro de 2011

3360. BRASIL: Sistema de alerta vetado por Lula

A tragédia ocorrida na região serrana do Rio de Janeiro, de que resultaram pelo menos 800 mortos e 25 mil desalojados, poderia ter sido evitada ou minimizada se estivessem em funcionamento sistemas de alerta contra desastres naturais, como os propostos três vezes pelo Ministério da Ciência e Tecnologia desde 2008 e vetados pelo então presidente, Lula da Silva, e pela sua ministra da Presidência e hoje presidente do Brasil, Dilma Rousseff.
A acusação foi feita no Congresso Nacional pelo secretário demissionário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento daquele ministério, Luiz António Barreto de Castro, num depoimento sobre a tragédia no Rio. "Venho aqui dizer isso mesmo: nós [o governo federal] falámos muito, mas não fizemos nada. Há dois anos, nós [o Ministério da Ciência e Tecnologia] fizemos um plano de radares para entrar no PAC I [o primeiro Plano de Aceleração do Crescimento, chefiado por Dilma], mas não foi aprovado. Voltámos a tentar incluí-lo no PAC II, em 2009, e ficámos de fora outra vez", afirmou o secretário, revelando ainda que, perante a alegação de que o custo do projecto, 51 milhões de euros, era muito elevado, apresentou outro, bem mais barato, mas igualmente rejeitado pelo governo federal.
"Em Agosto do ano passado, propusemos um outro projecto, que custaria 16 milhões, mas nem esse valor foi autorizado", concluiu.
O poder público local também não está isento de responsabilidade. Em Friburgo, por exemplo, a cidade mais devastada pela tragédia e onde se registou metade das vítimas mortais, 50 mil das 83 mil casas estão em situação irregular, sem autorização de habitação, por estarem em áreas de risco. Apesar disso, nenhuma delas foi embargada e novos habitantes eram incentivados a construir na cidade.
Autoridades forçam saída de moradores - O governo estadual do Rio de Janeiro decidiu não restabelecer o fornecimento de água e energia eléctrica às residências situadas em zonas de alto risco de enxurrada, numa tentativa de forçar a saída dos moradores que se recusam a deixar as suas casas, mesmo após o violento temporal da semana passada. Muitos habitantes, temendo pilhagens ou por não terem para onde ir, teimam em não abandonar as suas casas, quer os que moram em habitações que ficaram danificadas pela enxurrada quer os que habitam em zonas consideradas perigosas.
Domingos Grilo Serrinha
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