Os
serviços da Câmara de Albufeira - que entretanto criou uma bolsa de voluntários
para ajudar nas limpezas e que já reúne centenas de pessoas -, também não têm
tido mãos a medir para os trabalhos de limpeza e estão concentrados,
maioritariamente, no centro da cidade, com máquinas para remover o entulho. A
funcionária de uma loja de artesanato situada na Avenida da Liberdade contou à
Lusa que os estragos causados pela chuva "são bastante elevados", não
só pelo facto de a água ter entrado na loja, como por ter também invadido as
arrecadações onde se encontravam armazenados muitos artigos.
"A
maior parte do artigo está destruído, entrou muita água, que ficou acumulada
nas arrecadações e não dá para aproveitar quase nada, só o que estava mais
alto, o resto está tudo cheio de lama, sujo, molhado e estragado e é para
deitar fora", disse a uma lojista, acrescentando que o patrão tem mais
duas lojas na mesma avenida. O dono das três lojas, de artesanato, bijutaria e
acessórios, "felizmente tem seguro", disse a funcionária,
acrescentando que apesar de não se saber "até que ponto" os seguros
vão cobrir os estragos, em princípio "têm cobertura para este tipo de
calamidades", o que deverá atenuar o prejuízo.
Na
mesma avenida, onde dezenas de carros permanecem imobilizados entre os
destroços, um senhor relatou à agência Lusa o momento em que aquela artéria se
transformou num "mar", impedindo-o de retirar o seu carro, ali
estacionado poucas horas antes de as cheias atingirem o seu pico, o que terá
acontecido cerca das 15:00 horas. "Nunca me lembro de ter havido uma chuva
tão intensa como esta, estacionei era uma hora (13:00) e às três horas (15:00)
tentei vir recuperar o carro, mas já não consegui, já era um mar de água, até
mesmo para sair de casa tive que sair pelas traseiras do prédio porque a porta
principal não conseguia abrir", referiu.
Além
do carro, o residente na baixa há 40 anos tem agora também de enfrentar o
prejuízo na pastelaria da qual é proprietário, cujo recheio ficou completamente
danificado, situação agravada pela falta de electricidade, que fez com que o
conteúdo dos frigoríficos ficasse todo estragado. Tanto o carro como a sua pastelaria
não têm seguro contra intempéries, um seguro extra "que quase ninguém
faz", porque as companhias "não esclarecem bem" e como "é
muito caro, as pessoas não estão para pagar um seguro tão elevado".
Uma
residente na Avenida da Liberdade relatou à Lusa que a chuva a obrigou a ficar
"barricada" em casa e que durante 24 horas não teve água nem electricidade,
o que fez com que ficasse incontactável, já que o seu telemóvel ficou sem
bateria e não tinha como carregá-la. "Ouvia barulhos de carros a bater uns
nos outros e a galgar a água, um estrondo enorme e alarmes a tocar por todo o
lado", contou, enquanto observava pela primeira vez a estrada junto à sua
casa, um dos principais acessos da cidade em direcção à baixa, que ficou
destruída pela chuva e intransitável.
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Fonte: Região Sul
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