Os números foram avançados pelo comandante nacional da Protecção Civil, Mário Silvestre, durante um ponto de situação realizado na sede da ANEPC, em Carnaxide. Segundo o responsável, a resposta no terreno mantém-se reforçada, incluindo três helicópteros em permanência, utilizados na vigilância aérea e na avaliação das zonas mais afectadas.
Apesar de as quedas de árvores continuarem a representar uma parte significativa dos incidentes, as inundações registam um crescimento acentuado, com 1.593 ocorrências já identificadas. A subida das águas está também a provocar isolamento de várias localidades.
No distrito de Santarém, permanecem cortados os acessos a Reguengo do Alviela, Valada, Porto da Palha e Caneira. Já no distrito de Coimbra, a localidade de Ereira, no concelho de Montemor-o-Velho, continua sem ligações viárias.
As cheias obrigaram ainda ao realojamento de centenas de pessoas em diferentes pontos do país. Em Santarém, há 53 pessoas deslocadas na sequência da tempestade Kristin, enquanto 132 permanecem no Lar de Coruche, onde está preparado um plano de evacuação caso a situação se agrave.
No distrito de Leiria, foram realojadas 145 pessoas. Em Castelo Branco continuam deslocadas 53, e em Setúbal há registo de 15 pessoas realojadas, incluindo oito acamados. Duas pessoas da Trafaria foram encaminhadas para um espaço de acolhimento temporário da Protecção Civil municipal.
Para além do impacto das cheias, milhares de famílias continuam sem electricidade. Mário Silvestre confirmou que cerca de 86 mil pessoas permanecem sem fornecimento de energia, citando dados da E-Redes. A maioria das avarias concentra-se nas regiões mais afectadas pelo mau tempo.
Leiria é o distrito mais penalizado, com 57 mil clientes ainda sem luz, seguindo-se Santarém, onde 15 mil pessoas continuam sem energia eléctrica. Em Castelo Branco, registam-se três mil clientes afectados, enquanto em Coimbra permanecem cerca de mil avarias por resolver.
Entretanto, o plano especial para risco de cheias na bacia do Tejo foi elevado ao nível vermelho, após avaliação dos caudais e do impacto previsto. A decisão foi tomada na sequência de uma reunião da Comissão Distrital de Protecção Civil de Santarém, realizada durante a manhã desta sexta-feira.
O comandante nacional sublinhou que os patamares do plano estão directamente associados aos níveis de caudal, tendo como referência a estação hidrométrica de Almourol, acrescentando que a bacia do Tejo é a única no país com um plano especial desta dimensão, devido à sua extensão e potencial impacto das cheias.
A Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil voltou a reforçar os apelos à população perante o agravamento das condições meteorológicas, alertando para o aumento do risco de inundações e cheias, bem como para a possibilidade de deslizamentos de terras, acidentes rodoviários e galgamento costeiro, associado à forte agitação marítima.
Olímpia Mairos
* * * * * * * * * * *
Fonte: Renascença

Sem comentários:
Enviar um comentário