quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Quando é que este mau tempo finalmente acaba?



O Rio Sado inundou a zona ribeirinha de Alcácer do Sal
 devido ao mau tempo RUI MINDERICO/LUSA

Primeiro veio a depressão Ingrid, depois vieram as tempestades Joseph e a Kristin e, agora, estamos a braços com a chuva copiosa trazida pela Leonardo e já se anuncia a Marta – mas afinal quando é que este mau tempo vai ter fim em Portugal? A resposta é dada, ainda que com cautela, pelo meteorologista Jorge Ponte: a chuva persistente talvez só abrande na semana do Carnaval, ou seja, a partir do dia 16 de Fevereiro.
“O que podemos observar agora para a semana a seguir ao Carnaval, a partir do dia 16, é que há um sinal estatístico com uma maior probabilidade de o anticiclone [dos Açores] já se intensificar mais e começar a exercer uma influência maior sobre a Península Ibérica. Isto não quer dizer que não possa chover ainda, principalmente a norte e centro do país ainda pode chover. Mas há aqui uma indicação que o tempo poderá melhorar, a partir do dia 16 de Fevereiro”, explica Jorge Ponte ao Azul.
Não é garantia de tempo seco, frisa o especialista, mas o modelo estatístico indica a possibilidade de um regime meteorológico menos adverso para o Carnaval. Jorge Ponte recorda, contudo, que as previsões de médio prazo (duas ou mais semanas) comportam sempre mais incerteza.
Alívio no Domingo – Não havia uma pequena melhora prevista para este fim-de-semana? Há, mas apenas para domingo, dia 8 de Fevereiro, véspera de um novo episódio de instabilidade e chuva persistente. Por outras palavras, domingo será aquela paragem que fazemos para recuperar o fôlego numa subida íngreme e cansativa.
“Melhora no domingo, mas no sábado ainda temos aqui um dia potencialmente complicado, particularmente na região sul de Portugal”, explica o meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), numa conversa telefónica. Nesse dia, de manhã, entrará, pelo sul, a depressão Marta, “com precipitação persistente e por vezes forte e com rajadas de vento da ordem de 100 km/h e de 120 km/h nas serras”, diz um comunicado do IPMA, com os maiores valores acumulados de precipitação a sul do Tejo, incluindo a região da Grande Lisboa, mas mais prováveis no Alentejo e serras algarvias.
Para a próxima semana, a partir do dia 9 de Fevereiro, os modelos usados pelo IPMA ainda não antecipam uma mudança que faça a diferença no que toca à chuva persistente. “Na região norte e centro ainda não é decisiva essa mudança; vai continuar a chover de forma abundante na próxima semana”, refere Jorge Ponte. No Sul, porém, deverá começar a sentir‑se algum alívio, ainda que com dias de precipitação.
Anticiclone fora do sítio – A sucessão de tempestades resulta, explica Jorge Ponte, da posição anómala do Anticiclone dos Açores que tem permanecido mais a sul do que o habitual. “Temos tido esse anticiclone localizado, podemos dizer de uma forma relativamente anómala, mais a sul do que o normal”. Isto tem permitido que as depressões atlânticas atinjam com maior frequência a Península Ibérica. É este desvio no corredor das tempestades que explica, segundo o especialista do IPMA, a “meteorologia adversa” que o país tem enfrentado.
O fenómeno não é inédito, mas tem sido persistente ao longo deste Outono e Inverno em Portugal. “No fundo, isso é o que está a ocorrer. Temos um anticiclone que está anormalmente a sul”, resume Jorge Ponte. Mas também há existem Invernos em que sucede precisamente o oposto e o país enfrenta períodos muito secos.
Até que o anticiclone reencontre a sua posição climatológica, o país continuará sob a influência de sistemas frontais, episódios intermitentes de rios atmosféricos e um corredor de tempestades persistentemente desviado para sul.
Um rio atmosférico consiste num “corredor de massa de ar quente e húmido, de origem tropical”, cuja posição depende da circulação atmosférica e dos centros de pressão. O episódio mais intenso que Portugal testemunhou correspondeu, na prática, quase a “uma auto-estrada de ar muito húmido que vinha directamente dos trópicos em direcção à Península Ibérica”.
Andréia Azevedo Soares
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Fonte: PÚBLICO

 

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