terça-feira, 28 de abril de 2026

Tempestades Janeiro Fevereiro: Cerca de 20 mil clientes continuam sem serviços fixos de comunicações

“À data, segundo informação disponibilizada à Anacom pelos operadores, ainda existirão cerca de 20.000 acessos fixos afectados na sequência da depressão Kristin”, em 28 de Janeiro, adiantou a entidade responsável pela regulação do sector das comunicações e das actividades espaciais. Numa resposta escrita enviada na sexta-feira à agência Lusa, a Anacom referiu que registou, até quarta-feira, “cerca de 1.200 reclamações escritas relacionadas com os eventos meteorológicos extremos verificados no início do ano”, não incluindo apenas a depressão Kristin.

Entre os principais problemas está a “demora na reposição dos serviços e/ou reincidência de falhas após reparação”, reportes de avaria nos serviços de telefone fixo e móvel, serviços de acesso à Internet fixo e móvel, serviço de televisão por subscrição e televisão digital terrestre. Outros problemas elencados pela Anacom, presidida por Sandra Maximiano, passam por “dificuldades em contactar os operadores através dos canais disponibilizados para o efeito”, nestes casos “tipicamente demora no atendimento das linhas telefónicas ou sem conseguir falar sequer com o operador”, e “os reportes por escrito através de `email` ou área de cliente” não terem retorno.

A “falta de previsão/data para o restabelecimento integral dos serviços, dificuldades relacionadas com facturação (cobrança do período de indisponibilidade dos serviços, demora no processamento de créditos ou montante creditado insuficiente), cancelamento de contrato por interrupção prolongada, falta de comparência dos técnicos/reagendamento das intervenções técnicas” e “ofertas de rede móvel insuficiente devido à fraca cobertura e desempenho” são outros problemas casos reportados à Anacom. Acresceram “postes, cabos caídos e caixas abertas” e “dificuldades na apresentação e aceitação de pedidos de cancelamento antecipado relacionados sobretudo com a possibilidade de cobrança de encargos”, esclareceu.

Recuando à madrugada de 28 de Janeiro, a Anacom lembrou que a depressão Kristin provocou a “destruição massiva de infraestruturas do sector das comunicações”, afectando “de forma muito significativa os traçados aéreos de cabos” (fibra óptica) e torres de suporte de antenas (torres das redes móveis, mas também de operadores de radiodifusão sonora)”. “Como resultado verificou-se que as redes e serviços de comunicações ficaram inoperacionais, afectando mais de 200.000 acessos fixos e 300.000 utilizadores da rede móvel”, observou, notando que “as empresas de comunicações electrónicas e entidades detentoras de infraestruturas aptas ao alojamento de redes mobilizaram, de imediato, um enorme número de operacionais para os trabalhos de reposição das infraestruturas de comunicações danificadas”.

Porém, “dada a vasta extensão territorial da ocorrência, foi necessário fazer uma priorização das acções de recuperação”, admitiu. “Nos primeiros dias, foram instalados geradores, acessos de satélite, feixes hertzianos, estações móveis transportáveis, entre outros meios, para suprir necessidades específicas das forças actuantes nos trabalhos de recuperação”, sob a coordenação da Protecção Civil.

Segundo a Anacom, “numa fase inicial, os operadores de comunicações electrónicas procuraram repor o `backbone` da rede, de forma a garantir a conectividade às principais localidades (os grandes eixos), e recuperar as redes móveis, que, desde o início do mês de Abril, se encontram operacionais”. Porém, “a recuperação da rede fixa será mais demorada”, dado ser “necessário reconstruir, em grande medida, toda a capilaridade da rede de acesso”, cada habitação, cada estabelecimento comercial, trabalho que “pode demorar, em alguns casos, muitas semanas”.

“(…) Poderá demorar semanas até se alcançar uma recuperação plena”, acrescentou a entidade reguladora.

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Fonte: FolhaNacional

 

 

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