sexta-feira, 11 de setembro de 2026

O outono parece estar longe. Domingo e segunda com quase 40ºC no Alentejo e 37ºC em Lisboa

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Vamos saber como vai estar o tempo. Está aqui o "Quente e Frio", está aqui também a Filomena Martins. Olá, boa tarde, Filomena.
Olá, Nelson. Boa tarde.
Já com muito calor nesta quinta-feira, mas parece que veio para ficar. Já falamos um bocadinho disso ontem no "Quente e Frio", mas agora está confirmadíssimo. E com números.
São dias de muito calor.
Muito mesmo. É só com números: 39, 38, 37, 36, 35 graus. É assim que vai ficar o mapa das temperaturas para os próximos dias e o calor vai aumentar a partir desta sexta-feira e atingir o pico no domingo e na segunda.
Valores muito altos em todo o país, não é?
Sim, os valores mais altos vão concentrar-se nos sítios do costume, no interior Centro, no Vale do Tejo e no Alentejo. Mas há aqui um número que diz muito, que desta sexta até à próxima sexta, só duas capitais de distrito não vão estar acima dos 30 °C.
Dos 30, não é?
São Viana do Castelo e Aveiro. Todas as outras vão estar acima dos 30 °C, o que diz muito. Santarém e Évora, nestes dois dias dos picos de calor, portanto domingo e segunda, vão chegar ali aos 39. Alguns locais, por exemplo, Mora vão chegar aos 40 mesmo. Abrantes, Tomar, Cruz, Corugão, Entroncamento, Vila Velha de Rodão, podem chegar aos 38. Depois há Lisboa e Leiria, onde vão estar 37. Depois há as outras que ficam um bocadinho mais baixas, que é Castelo Branco, Beja e Portalegre, também entre as zonas mais quentes, mas com máximas de 35, 36. E há estas excepções de Viana do Castelo e de Aveiro, na influência atlântica, dá ali mais o fresco. Mesmo assim, o Porto, que também costuma ter temperaturas mais frescas, vai chegar aos 31 durante o fim-de-semana.
E domingo e segunda disse que são os dias mesmo mais quentes.
Serão com grande calor, com picos de calor. Grande parte do interior entre os 35 e os 39. Como Mora, outros locais chegarão aos 40. Depois na terça há uma descida, mas pequena, em várias zonas, sobretudo do interior, mas os termómetros nessas zonas ficam ainda acima dos 35 e o calor, é importante dizer isto, vai entrar também pela noite dentro. Portanto, Lisboa e Faro estão entre as cidades onde as mínimas ficarão acima dos 20, ou seja, essas noites tropicais, daquelas de esplanada e passeios à beira-mar. Portanto, é um episódio de calor que dura vários dias e onde vai haver menos horas de arrefecimento entre uma tarde muito quente e o dia seguinte de manhã.
Já temos visto isto nos últimos anos, até Setembro e Outubro continuamos aqui com dias de muito calor, mas vamos olhar no fenómeno de hoje para o que aconteceu também há alguns dias, no fim-de-semana, em Albergaria-a-Velha, no distrito de Aveiro. Foi um downburst. E o que é isto?
Já tínhamos falado aqui da granizada e de como é que ela vinha da trovoada e como é que se formava esse granizo tão grande. Mas agora o IPMA veio revelar que foi também um downburst. E que foi, sobretudo, por causa do downburst, que apareceram aquelas árvores arrancadas, os telhados e os carros danificados, por causa das rajadas de vento, que foram muito fortes. À primeira vista, os estragos fizeram pensar num tornado, mas não foi um tornado, foi este downburst, e confirmou o IPMA. E este downburst, como tu perguntavas, acontece dentro de uma trovoada. É uma grande quantidade de ar frio e muito pesado, que desce rapidamente da nuvem, vem lá de cima cá para baixo, atinge o solo e quando atinge o solo, espalha-se depois horizontalmente, quase como se despejássemos um balde de água no chão.
Ok.
Só que aqui o que se espalha é ar, é vento, e pode fazer a velocidades capazes de derrubar árvores e provocar danos até em edifícios. Portanto, é bastante forte. Naquele dia 5, havia muita instabilidade, havia uma grande quantidade de água disponível na atmosfera e o ar mais seco à superfície. Portanto, a precipitação e o granizo ajudaram a arrastar e a acelerar o ar mais para baixo e quando chegou ao solo, esta corrente descendente produziu as tais rajadas que atingiram sobretudo a aldeia de Branca e as zonas próximas ali de Albergaria e Oliveira de Azeméis.
É o movimento destas massas de ar que distinguem um tornado de um downburst?
Exactamente. Num tornado, o vento roda em torno de um eixo. Num downburst, o vento desce e abre-se quando chega ao chão. Por isso, no levantamento dos danos, a orientação das árvores e dos objectos derrubados ajuda os meteorologistas a perceber o que é que aconteceu. Mesmo que haja downbursts de dimensões diferentes. Quando a zona afectada tem menos de 4 km, fala-se normalmente em microburst. Quando é maior, é macroburst. Isso tem estas coisas todas. E podem ocorrer com muita chuva ou até com relativamente pouca precipitação. Por isso, digamos que é fácil perceber se o vento se espalhou ou se o vento andou à roda. E não é um fenómeno novo em Portugal, nem sequer o primeiro deste ano, porque em maio, também com trovoadas severas, o IPMA identificou vários tipos de downburst na região de Viseu. E todos sabemos que o episódio mais extremo aconteceu a 17 de Junho de 2017, no incêndio de Pedrógão. O sistema de trovoadas que atravessava aquela região produziu vários downbursts, não foi um. O IPMA identificou pelo menos nove. A maioria não atingiu directamente os incêndios, mas a interacção com as correntes descendentes da tempestade e os fogos alterou violentamente o vento e o comportamento das chamas.
(…)
Filomena Martins
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Fonte: Observador

 

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