Portugal continental foi afectado, entre os dias 2 e 6 de Outubro de 2026, por episódios de forte instabilidade atmosférica, associados a uma depressão do tipo gota-fria, que originou aguaceiros fortes, trovoada, queda de granizo e vento forte em vários locais. No início deste período, a perturbação sofreu um ligeiro cavamento sobre a Galiza, dando origem a um núcleo depressionário que se deslocou lentamente para sudoeste, afectando progressivamente o território continental e centrando-se, a partir do dia 4, a oeste da costa ocidental portuguesa.
A depressão
transportava uma massa de ar quente, muito instável e com elevado conteúdo em
água precipitável. A fraca circulação atmosférica favoreceu a deslocação lenta
das células convectivas, permitindo que algumas áreas fossem afectadas durante
períodos prolongados e, em alguns casos, por sucessivas células de
precipitação. Estas condições contribuíram para a ocorrência de inundações
repentinas e queda de granizo.
Na região do Alentejo, durante a manhã do dia 4, as condições atmosféricas
favoreceram a formação de um conjunto organizado de células de tempestade, com
precipitação contínua ao longo de, pelo menos, 100 km, habitualmente designada
por sistema convectivo de mesoescala (ver imagem).
Em Manteigas, no distrito da Guarda, o episódio ocorrido no final do dia 2 foi particularmente significativo. Entre as 21:30 e as 22:30 UTC registou-se precipitação muito forte, por vezes acompanhada de granizo, que se prolongou por mais tempo. As imagens de radar mostram a persistência deste episódio. A tempestade foi também acompanhada por forte actividade eléctrica, tendo-se registado o maior número de descargas atmosféricas entre as 23:00 e as 24:00 UTC.
No sul do território, Santiago do Cacém, no distrito de Setúbal, foi afectado no dia 4 por precipitação muito forte e queda significativa de granizo, associadas também a elevada frequência de descargas eléctricas atmosféricas.
Os modelos de previsão numérica do tempo permitem identificar áreas onde existe maior probabilidade de ocorrência destes fenómenos, mas apresentam limitações na previsão exacta do local, período e intensidade da convecção. Assim, nem todos os locais abrangidos por um aviso meteorológico serão necessariamente afectados pelos fenómenos previstos.
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Fonte (imagem e texto): IPMA

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