A nova aldeia da Luz (Mourão), construída por a barragem do Alqueva passar na zona da antiga, cumpriu cinco anos da sua inauguração pelo então primeiro-ministro Durão Barroso, mas o autarca local e os moradores garantem que velhos problemas continuam sem resolução. "O Alqueva não trouxe nada, nem bom nem mau", afirmou uma moradora, prestes a cumprir 71 anos, enquanto que uma sua vizinha, de 79 anos, também garantiu que ganhou "pouco ou quase nada", apesar de gostar "muito" das suas "casinhas". "Estão bonitas, mas tenho pena que os problemas continuem. As paredes, por dentro e por fora, estão cheias de rachadelas e ninguém amanha isto", desabafa.
Considerada o impacto social mais significativo do Alqueva, a nova aldeia da Luz foi construída de raiz a dois quilómetros da antiga, desmantelada e submersa pela albufeira de Alqueva. O presidente da Junta de Freguesia, Francisco Oliveira (PSD), lembra que compromissos antigos, como a construção de um centro artesanal, zona industrial, posto de recolha de azeitona e adega cooperativa "não foram cumpridos", embora a EDIA (Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva) contraponha que cumpriu com "todos os compromissos que comprovadamente assumiu". A somar a isso, segundo o autarca, nem o registo das casas e dos terrenos está concluído.
"Há muita casa que ainda não foi registada em nome das pessoas e o mesmo acontece com os terrenos agrícolas", disse. A EDIA explicou que os terrenos agrícolas não são da sua competência, mas, no que toca às habitações, a empresa "desenvolveu todas as diligências sob a sua responsabilidade" e só "cerca de cinco por cento" dos proprietários ainda não têm registo das casas devido a "problemas legais, a maioria entre herdeiros".
Anomalias construtivas nas casas e edifícios públicos são outras das queixas do presidente da junta, garantindo a EDIA que fez o levantamento de todas as irregularidades e o entregou ao consórcio empreiteiro a sua regularização.
Além de obrigar à construção da nova aldeia, o projecto de Alqueva já rega 8811 hectares, prevendo atingir os 110 mil até 2013, com a conclusão de todas as infra-estruturas de regadio.
Após mais de uma década de obras, cerca de seis a encher e de um investimento superior a 1,2 mil milhões de euros, distribuído pelas valências agrícola, hidroeléctrica e de abastecimento público, o projecto permite regar, abastecer populações e produzir energia eléctrica. Ao longo dos próximos três anos, as águas de Alqueva, que será o maior lago artificial da Europa, vão abastecer, progressivamente, as casas de dois terços dos habitantes (200 mil) dos distritos de Évora e Beja, numa operação que ainda não foi necessária, por as barragens complementares estarem quase cheias, mas que, em caso de emergência, poderá começar a qualquer hora.
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Fonte: Público
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