segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

1494. Barragem de Odelouca: discussão pública reforça proibição de construções e repovoamento de manchas florestais

A proibição de novas construções e o repovoamento da zona da futura Barragem de Odelouca com espécies vegetais autóctones para preservar a Águia de Bonelli saíram reforçados após a discussão pública do Plano de Ordenamento para a área. Os resultados da discussão foram divulgados pelo Instituto da Água (Inag) em finais de Dezembro e o plano inicial acabou por sofrer alterações ao nível da redacção de alguns artigos relativos à edificação, conservação da natureza, espaços turísticos e património classificado. A utilização de espécies autóctones para repovoar a área e a utilização de culturas menos intensivas foram alguns dos pontos reforçados, no sentido de minimizar os impactes ambientais decorrentes da obra.
Na sequência da discussão pública que teve lugar em meados do ano passado, foram feitos ainda alguns acertos de pormenor das plantas e igualmente reforçada a proibição de construções que não sejam infra-estruturas de apoio à utilização do plano de água.
A Barragem de Odelouca, situada entre Monchique e Silves deverá estar operacional, de acordo com o anúncio do Governo há um ano, em 2010, depois das obras terem estado suspensas três anos na sequência de uma queixa da Liga para a Protecção da Natureza (LPN) à Comissão Europeia. Em Agosto, José Sócrates visitou as obras da estrutura, altura em que o ministro do Ambiente anunciou para Silves a construção de um centro de reprodução de linces ibéricos, uma estratégia para minimizar o impacto ambiental decorrente da construção da barragem.
Apesar de alguns esforços também no sentido de garantir manchas florestais para conservar a Águia de Bonelli, reconverter a área com espécies autóctones e adoptar técnicas de cultura menos intensivas, os ambientalistas continuam a criticar a obra. Segundo a LPN, a construção da barragem terá impactos ambientais incontestáveis e apesar de ter por base o pretexto de garantir água, está a encobrir o uso abusivo das águas subterrâneas para a agricultura intensiva e rega de campos de golfe, dizem.
A Barragem de Odelouca vai servir os concelhos de Loulé, Albufeira, Lagoa, Silves, Portimão, Lagos, Vila do Bispo, Aljezur e Monchique e visa, segundo as entidades que gerem os recursos hídricos na região, diminuir o recurso aos aquíferos subterrâneos. Com 76 metros de altura, a barragem estará interligada à do Funcho através de um túnel, já construído, substituindo o actual sistema de abastecimento de água ao Oeste do Algarve, baseado em captações subterrâneas.
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