terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

1587. Pesquisas constatam alterações na camada de ozono e no clima da Antárctica

Pesquisadores brasileiros que estão na Estação Antárctica Comandante Ferraz para as actividades científicas do verão 2007/2008 enfrentam o inverno mais rigoroso dos últimos 20 anos. E constataram, mais uma vez, a redução da camada de ozono.
Desde Dezembro de 2007, desenvolvem projectos que fazem parte do 4º Ano Polar Internacional, como o de estudo do buraco na camada de ozono e sobre variações climáticas. Apesar de as conclusões finais saírem em 2010, os resultados científicos começam a ser divulgados este ano.
“O Ano Polar está permitindo à comunidade científica participar numa grande campanha observacional para desenvolver pesquisas nos ambientes Árctico e Antárctico, aprofundando o conhecimento quanto à conexão dos pólos com outras latitudes, as mudanças climáticas e sua interacção com o meio ambiente da Terra”, afirma Neusa Paes Leme, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT) que coordena o projecto Atmosfera Antárctica e suas conexões com a América do Sul, onde o estudo da camada de ozono e da radiação ultravioleta é um dos objectivos. Segundo a pesquisadora, em 2007, a redução da concentração do ozono na camada foi 15% menor do que em 2006, quando foi registado um novo recorde em tamanho e destruição da camada de ozono.
A concentração do gás CFC (Cloro-Flúor-Carbono), responsável pela destruição do ozono, ainda é alta e os modelos indicam que a camada só estará normal em 2060, se comparada com a concentração de 1980. A camada de ozono é monitorizada em Ferraz, no período de Agosto a Março, desde 2001 e em campanhas especiais em Setembro e Outubro, desde 1992. No período da ocorrência do buraco de ozono, a concentração sobre Ferraz é reduzida em torno de 65% e a radiação UV pode aumentar em 500%, atingindo valores de regiões tropicais.
Além da pesquisa sobre a camada de ozono, o Inpe também tem projectos ligados ao estudo da alta, média e baixa atmosfera, meteorologia, aquecimento global, gases do efeito estufa, a radiação ultravioleta, a relação sol-atmosfera (clima espacial), o transporte de poluição e oceanografia. Os pesquisadores estão elaborando em Ferraz três publicações com dados dos projectos para periódicos científicos.
O projecto de meteorologia produziu um documento com informações sobre o clima da região com registos da temperatura de Ferraz desde 1986 e da Baia do Almirantado desde 1949.
Durante esta temporada foram realizadas outras actividades como instalação da antena GPS, manutenção do sistema de registos meteorológicos da torre de colecta de dados, e a instalação de uma nova web-câmera no módulo do projecto Geoespaço para monitorar simultaneamente a entrada da Baía do Almirantado e arredores da Estação Antárctica Comandante Ferraz. As imagens estão disponíveis ao público no site do projecto da Meteorologia: http://www.cptec.inpe.br/antartica/.
Foi testado o robô para levantamento fotográfico e obtenção de imagens de vídeo das formas de vida marinha encontradas no fundo da Baía do Almirantado. Operado de forma remota, o robô, especialmente adaptado para executar missões de exploração nas águas geladas, realizou cinco mergulhos, atingindo 26 metros de profundidade.
Entre o material colectado estão amostras de água do mar para o estudo da estrutura da comunidade do microfitoplâncton em função das variações de maré e amostras de matéria orgânica dos principais tipos de solos da Antárctica Marítima. Um dos objectivos é o estudo da introdução de poluentes oriundos de outras áreas do planeta no ecossistema antárctico. Nas pesquisas envolvendo a fauna antárctica – região onde se reproduzem cerca de 40 espécies de aves, sendo oito espécies de pinguins e as demais espécies são aves voadoras –, foi realizado o monitoramento do vírus da Influenza Aviaria e o Vírus da Doença de NewCastle em Pinguins da Ilha Rei Jorge, além do estudo das condições ambientais extremas da Antárctica, como o frio intenso, que influenciam as características fisiológicas, reprodutivas e comportamentais das espécies que vivem ou se reproduzem neste ambiente.
Segundo os pesquisadores, a primeira fase de actividades de vários projectos teve a rotina alterada em função da total ausência de água no sistema de abastecimento da Estação Ferraz, o que modificou alguns dos objectivos previstos, pois as medições que dependem desse recurso seriam impraticáveis ou corriam o risco de gerarem dados inverídicos em relação ao padrão usual de Ferraz.
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Fonte: O Serrano

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