quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

2692. SACAVÉM: Receio de cheias obriga comerciantes a madrugar

Para os comerciantes da Baixa de Sacavém, em Loures, o Outono traz o medo das habituais cheias. A construção de uma bacia de retenção, a concluir em Janeiro, deverá minimizar o risco, mas os lojistas temem que não chegue.
"Uma noite de chuva é uma noite em que eu não durmo. Venho para aqui de madrugada", diz o dono de um stand de automóveis na Praça da República, na baixa de Sacavém. Foi ali que as cheias de Fevereiro de 2008 o apanharam, provocando-lhe um dos maiores sustos da sua vida. "Estive três horas em cima de um jipe, em hipotermia, enquanto os bombeiros passavam de barco lá fora", recorda.
Nessa ocasião, a água e a lama que invadiram o stand atingiram 2,40 metros de altura. Os resultados foram 200 mil euros do prejuízo de 19 automóveis danificados. "Ando com uma depressão e nunca mais recupero depois daquilo", desabafa o comerciante. A dar força às suas palavras estão os avisos de "vendo/alugo" afixados à porta da loja.
Para os comerciantes da baixa de Sacavém, o penúltimo Inverno foi muito duro, dado que, em poucos meses, a água inundou várias lojas até ao tecto por duas vezes. Estas cheias, como uma outra ocorrida em 1983, ficam na memória dos lojistas, pelos elevados prejuízos e pelas semanas ou meses que demoraram até terem condições para reabrir os estabelecimentos.
Às inundações de menor dimensão já quase nem ligam. "Estou aqui há 42 anos e não houve nenhum em que não tivesse cheias", garante o dono do stand de automóveis. "Até já tivemos este ano, em Julho, e quase ninguém se lembra de ter chovido".
A juntar ao facto de aquela zona ser mais baixa do que o nível do Tejo e do Trancão – fazendo com que, quando a chuvada é maior, a água não tenha para onde escoar – existe falta de limpeza e manutenção dos colectores e sumidouros. Segundo um sapateiro, o colector que fica à frente dos estabelecimentos mais frequentemente inundados – como o seu, cujo recheio ficou totalmente destruído nas últimas grandes cheias – nunca teve manutenção, desde a sua construção, e está atulhado de terra e lixo.
O dono do stand de automóveis, que corrobora esta tese, garante que a 25 de Junho "choveu só um nadinha e nem sequer havia pinga de água a correr da ribeira, mas o colector rebentou logo e inundou a rua toda". "Estão a gastar milhares de contos a fazer obras lá em cima para nada", atira, referindo-se à intervenção da SimTejo na Ribeira do Prior Velho.
Segundo o vereador das Obras Municipais da Câmara de Loures, o colector em causa sofreu uma ruptura em Fevereiro de 2008, mas a situação já está "mais acautelada", devido a uma "reparação significativa feita pela SimTejo na infra-estrutura". O vereador garante que a intervenção na Ribeira do Prior Velho, juntamente com a limpeza das linhas de água e sumidouros, minimizará o impacto das cheias. "Não se vai repetir a situação do ano passado, até porque não há trombas de água todos os anos", diz o autarca.
Luís Garcia
* * * * * * *
Fonte: JN

Sem comentários: