terça-feira, 5 de maio de 2026

Mau tempo: Três meses depois apoios continuam a chegar a “conta-gotas” (III)

Empresas – Em meados de Abril, o Banco Português de Fomento (BPF) tinha aprovado ou estava em fase de aprovação de empréstimos de 1.462 milhões de euros a cerca de 7.000 empresas para apoiar a reconstrução dos danos causados pelo mau tempo, segundo o presidente do BPF. Gonçalo Regalado falava no parlamento sobre as linhas de crédito especiais criadas com garantia pública para assegurar condições de financiamento mais baixas às empresas afectadas pelas intempéries.
A Estrutura de Missão para a recuperação da região Centro estimou que entre 35 mil e 40 mil empresas do sector industrial, de serviços e agrícolas ficaram com danos nas zonas mais afectadas, que têm um total de cerca de 55 mil empresas.
Agricultura – O Governo pagou 3,3 ME a 431 agricultores afectados pelo mau tempo, no âmbito do apoio simplificado de 10 ME de dotação para os concelhos em situação de calamidade, anunciou o ministro da Agricultura e do Mar, José Manuel Fernandes, em 15 de Abril. Esta semana, o Governo alargou os apoios às explorações agrícolas, aprovados na sequência das tempestades, a todas as áreas com “prejuízos relevantes”, mesmo que fora dos concelhos abrangidos pela situação de calamidade, e prorrogou o prazo para candidaturas em 60 dias úteis (até meados de Julho).
Já as candidaturas ao restabelecimento do potencial produtivo, no âmbito do Plano Estratégico da política Agrícola Comum (PEPAC), fecham em 30 de Abril.
Pescas – No sector das pescas tinham sido submetidas 1.268 candidaturas até meados de Abril, das quais foram aprovadas 511. Tinham sido pagos 245.000 euros relativos a 56 candidaturas. O Governo disponibilizou um apoio extraordinário para o sector da pesca de 3,5 ME, em particular para mitigar o impacto da paragem dos barcos, através do programa Mar 2030.
O sector da aquacultura em Portugal registou um prejuízo de, pelo menos, 1,5 ME, o mesmo valor do apoio disponibilizado através do programa Mar 2030 para a reposição de equipamentos de empresas de aquacultura, que foram destruídos pelo mau tempo. As candidaturas estão abertas até 30 de Abril.
Telecomunicações, energia e água – Três meses após o início das tempestades, cerca de 20 mil clientes continuam sem serviços fixos de comunicações, revelou na sexta-feira à Lusa a Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM). A Anacom referiu ainda que recebeu “cerca de 1.200 reclamações escritas relacionadas com os eventos meteorológicos extremos verificados no início do ano”, estando a “demora na reposição dos serviços e/ou reincidência de falhas após reparação” entre os principais problemas, bem como reportes de avaria nos serviços de telefone fixo e móvel, serviços de acesso à Internet fixo e móvel, serviço de televisão por subscrição e televisão digital terrestre.
Contactados pela Lusa esta semana, autarcas de Mação, Tomar e Ferreira do Zêzere, no distrito de Santarém, relataram que persistem falhas nas telecomunicações nestes concelhos, com postes caídos, cabos no chão e serviços instáveis, num processo de recuperação que consideraram lento. As telecomunicações móveis já estão genericamente repostas.
Mais de 300 mil clientes dos operadores de comunicações electrónicas Meo, NOS, Vodafone e Nowo foram afectados pelo mau tempo, segundo a Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM). As principais operadoras estimam ter reposição total nas zonas afectadas até ao fim de Abril.
O mau tempo afectou também infraestruturas de abastecimento de luz e água, que colapsaram e demoraram mais de um mês a ser repostas de forma estável. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) esclareceu que vigoram até 30 de Abril as medidas extraordinárias no sector energético aplicáveis aos clientes afectados pelo mau tempo, como o pagamento fraccionado das facturas de luz e gás, a dispensa do pagamento da potência contratada durante o período de interrupção do fornecimento e a proibição de os comercializadores cortarem a luz por falta de pagamento. A EDP estimou em cerca de 80 milhões de euros os impactos provocados pela Kristin.
O grupo Águas de Portugal estimou em cerca de 40 milhões de euros a recuperação de infraestruturas para o restabelecimento do funcionamento dos sistemas de saneamento básico.
Estradas e Ferrovia – A Infraestruturas de Portugal (IP) indicou que 26 estradas no território nacional continuavam encerradas em 21 de Abril, salientando que algumas reparações podem demorar vários meses. Na sequência das tempestades, a IP chegou a registar mais de 300 cortes totais de troços de estradas na rede que gere.
A empresa pública estimou também que as reparações de situações provocadas pelas tempestades nas linhas do Oeste e da Beira Baixa devem ficar concluídas até ao final do ano.
Florestas – Mais de três mil quilómetros de caminhos florestais afectados pelo mau tempo foram desobstruídos até ao dia 15 de Abril, revelou, na sexta-feira, à Lusa o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), salientando que um terço da rede viária florestal desobstruída até àquela data situa-se na Região de Leiria. O ICNF revelou ainda que as matas nacionais do Casal da Lebre (Marinha Grande), a do Ravasco (Leiria) e a Mata Nacional de Leiria foram “particularmente afectadas, tendo os povoamentos aí existentes sido praticamente totalmente destruídos”.
Em 31 de Março, o secretário de Estado das Florestas disse que vai ser impossível até ao verão retirar todo o material lenhoso das zonas atingidas. O governante salientou que o foco agora está na mitigação dos riscos de incêndios e que tem de haver zonas prioritárias, onde devem ser concentradas as intervenções.
Os proprietários têm de realizar a limpeza dos terrenos até 31 de maio, de uma forma geral, ou até 30 de Junho nas zonas mais afectadas pelas tempestades. A Comissão Europeia aprovou um pacote de 250 milhões de euros de ajudas estatais ao sector florestal em Portugal, válido até 31 de Dezembro de 2029, para reflorestar áreas afectadas e compensar proprietários pela perda de rendimento.
26 de Abril de 2026
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Fonte: Notícias de Coimbra

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