quarta-feira, 8 de novembro de 2006

601. Físicos investigam efeitos dos raios cósmicos nas nuvens e no clima

Um feixe de partículas vai contribuir pela primeira vez para estudar o clima, ao investigar a influência dos raios cósmicos galácticos na formação das nuvens, anunciou o Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN). O estudo enquadra-se numa nova experiência, chamada CLOUD (Cosmic Leaving Outdoor Droplets), destinada a explorar as interacções microfísicas entre os raios cósmicos e as nuvens, e que está na fase de testes de um protótipo.
Segundo o CERN, os objectivos desta fase são testar a concepção técnica da experiência através dos primeiros estudos, num feixe de partículas, da influência dos raios cósmicos na formação das camadas de nuvens a baixa altitude. "Se conseguirmos demonstrar uma interacção significativa, será possível ter em consideração os raios cósmicos em futuros modelos climáticos", explicou Jasper Kirkby, porta-voz da CLOUD. A radiação cósmica é constituída por partículas aceleradas de alta energia provenientes do meio interestelar, essencialmente da explosão de supernovas, que correspondem ao fim da vida de certas estrelas. O Sol também emite estas radiações, mas a níveis de energia mais fracos. "Se recuarmos no tempo, apercebemo-nos de que as variações da temperatura à superfície da Terra revelam uma correspondência perturbadora com as das radiações cósmicas", sublinha o CERN. Segundo dados obtidos por paleoclimatologistas, que conseguiram reconstituir ao mesmo tempo o clima e o nível de radiações cósmicas ao analisarem calotes de gelo polar, a temperatura à superfície do planeta baixa com o aumento das radiações cósmicas. Paralelamente, de acordo com observações de satélites, a cobertura de nuvens a baixa altitude da Terra estará também ligada à intensidade dos raios cósmicos.
É COMO COZINHAR - O fenómeno, que a experiência CLOUD irá agora estudar, poderá dever-se ao facto dos raios cósmicos participarem na formação de gotículas de aerossóis e no desenvolvimento da camada de nuvens. A experiência será feita numa câmara de reacção de dois metros de diâmetro e numa câmara de nuvens de 50 centímetros de diâmetro nas quais serão reproduzidas condições atmosféricas muito precisas. "Vai ser como cozinhar. Vamos juntar todos os ingredientes num recipiente, 'regar' com raios cósmicos e ver o que acontece", disse Kikby. Associados às duas câmaras estarão vários instrumentos de medição e controlo (epectrómetros, detectores de cristais de gelo e câmaras, entre outros), para tentar compreender em muita pequena escala os mecanismos de formação das nuvens em relação com as radiações. A CLOUD, que estará a funcionar em pleno em 2010, é uma experiência multidisciplinar que junta os mais importantes físicos solares, de aerossóis e de nuvens da Europa e dos Estados Unidos, bem como especialistas do Sol, dos raios cósmicos e da física de partículas.
* * * * * * * * * * * * * * * *
Fonte:
Ciência Hoje

Sem comentários: