A Estrada Nacional 109 serve de fronteira imaginária. De um lado fica a cidade de Aveiro, a chamada zona do Glicínias, onde estão constantemente a aparecer prédios novos e luxuosos. Do outro lado, por detrás de umas fábricas, perto de Verdemilho, moram 15 adultos e cinco crianças. Dividem três barracas que não reúnem as condições mínimas de higiene e habitabilidade.Maria de Fátima Monteiro tem 52 anos, 22 dos quais foram passados dentro destas barracas. Não existe luz e água canalizada e saneamento é uma miragem para estas pessoas. "É muito mau viver aqui. Não temos nada, nem sequer nos autorizam a colocar aqui luz eléctrica", diz.
Neste pequeno bairro de lata parece que o tempo não avançou. Aqui ainda se utilizam velas à noite para conseguirem ver qualquer coisa e o banho, por exemplo, é tomado na cozinha "dentro de uma bacia". Quanto à casa de banho, "é ao ar livre, aí fora nesses campos.".
Com a chegada das chuvas e do frio, chega também a pior fase do ano para quem aqui vive. Maria de Fátima diz que é uma miséria "As barracas ficam todas cheias de água, as camas todas molhadas. Temos frio, mas nem nos podemos aquecer com os cobertores". Nestes últimos 22 anos, muitas pessoas dos serviços de habitação social da Câmara Municipal de Aveiro passaram pelo bairro, mas nada foi feito, dizem os moradores. "A única coisa que fazem é dizerem para nos irmos inscrever para termos uma habitação deles, mas nunca mais nos arranjam uma casinha. Era muito importante conseguirmos sair deste sítio. Mas a verdade é que não se interessam porque somos ciganos", diz Maria de Fátima Monteiro.
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Fonte: JN
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