quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

692. Cheias: Quercus atribui responsabilidades à falta de ordenamento

Os ambientalistas da Quercus defenderam que os efeitos das cheias e das inundações estão a ser «potenciados» pela falta de planeamento e ordenamento do território e pela desflorestação resultante dos incêndios.
«Existem diversos casos em que obras públicas em leitos de cheia são efectuadas em aterro, em vez de serem construídos viadutos que permitam a livre passagem das águas», denuncia a associação ambientalista, em comunicado. As situações mais evidentes deste problema, acrescentam, existem em vias de comunicação como nas obras de modernização da Linha do Norte promovidas recentemente pela REFER, com os aterros em leito de cheias e o mau planeamento dos sistemas de drenagem.
A Quercus acusa as entidades públicas de responsabilidade por alguns dos maiores problemas de obstrução em leitos de cheias dos últimos anos, com a ocupação através de aterros das áreas de zona ameaçadas pelas cheias, «com o indevido reconhecimento público das obras» em Reserva Ecológica Nacional (REN), «sem implementarem as melhores soluções técnicas».
Os ambientalistas lembram que o impacto as grandes cheias tem sido «potenciado» pela falta de planeamento e ordenamento do território, nomeadamente com urbanizações em zonas ameaçadas pelas cheias da REN. E explicam que as urbanizações e a impermeabilização dos solos impedem a infiltração das águas no solo e aumentam o escorrimento superficial das águas, com rapidez, provocando problemas de drenagem e as consequentes inundações das áreas adjacentes às linhas de água.
As áreas desflorestadas pelos incêndios agravam mais o problema, salientam, dado que a falta de vegetação provoca também o rápido escorrimento das águas para os rios e ribeiros, com a agravante de arrastarem as terras que vão assorear os leitos das linhas de água, reduzindo a sua capacidade de vazão.
A Quercus aconselha uma melhoria do planeamento do território, nomeadamente incluindo todas as áreas de leito de cheia na cartografia de condicionantes dos PDM's (Plano Director Municipal), em fase de revisão. Os ambientalistas recomendam ainda às Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regionais (CCDR) que sejam «cautelosas» a avaliar estudos hidrológicos e hidraúlicos que visem a redução das zonas ameaçadas pelas cheias, nomeadamente onde existe especulação imobiliária.
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Fonte:
Diário Digital

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