Desde a meia-noite desta quinta-feira
a Autoridade Nacional de Protecção Civil registou 149 incêndios em todo o país,
sendo que 28 deles continuam activos e 13 têm grandes proporções. O incêndio
que lavra no distrito de Viseu, no concelho de Tondela, e que está a destruir
parte da Serra do Caramulo, é o que está a mobilizar mais meios: mais de 450
bombeiros e quase 140 veículos.
De acordo com a informação da
Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), o incêndio que começou na manhã
de quarta-feira tem ainda duas frentes activas. O incêndio atravessou durante a
noite várias zonas habitadas, disse à Lusa o Comandante Distrital de Operações
de Socorro de Viseu. Por precaução, algumas pessoas foram retiradas das suas
casas. "Já atravessou várias populações, grande parte dos meios dos bombeiros
esteve na protecção das habitações, que são várias espalhadas por toda a
serra", afirmou António Ribeiro. O comandante explicou que na Serra do
Caramulo há uma grande dispersão de habitações, aldeias e pequenas aldeias e
algumas casas isoladas.
O combate está a ser
especialmente dificultado pelo vento “brutal”, segundo explicou à Lusa o
presidente da Câmara de Tondela. Ainda assim, tem sido possível proteger até ao
momento as povoações, bens e pessoas. “Para já tem-se conseguido proteger as
populações, sobretudo no concelho de Tondela e de Oliveira de Frades [distrito
de Viseu], mas a situação está muito difícil por causa do vento. É a maior
dificuldade, é uma coisa enormíssima e brutal. Entretanto, já começaram a
funcionar os meios aéreos, o que pode vir a ajudar a resolver alguns dos
problemas que temos”, adiantou Carlos Marta.
O autarca informou que existe
apenas informação de uma habitação que foi atingida pelas chamas em Oliveira de
Frades, e assinalou que o fogo está a avançar em direcção a Agadão, no concelho
de Águeda, já no distrito de Aveiro. “Se o vento não parar, vai ser muito
complicado”, sublinhou, acrescentando que neste momento “ninguém faz previsões”
quanto a um eventual epílogo deste incêndio, que na última noite atravessou
várias zonas habitadas.
Em termos de distritos, o Porto é
o que está a ser mais afectado pelos incêndios de maiores proporções com quatro
activos nos concelhos de Baião, Maia e dois em Marco de Canaveses, sendo que um
deles, em Lugar de Reguengo, foi entretanto dominado. Ao todo, no país há quase
1300 bombeiros apoiados por mais de 330 veículos a tentarem controlar as
chamas.
Em Braga há três incêndios
destacados pela ANPC, nos concelhos de Vila Verde, Póvoa de Lanhoso e Vila Nova
de Famalicão. Os dois primeiros foram entretanto considerados dominados. Em
Bragança há dois dias que lavra um incêndio no concelho de Vila Flor, sendo que
no terreno continuam mais de 100 homens e de 30 veículos.
Em Bragança desde terça-feira que
o Parque Natural do Alvão, em Mondim de Basto, continua a arder, mobilizando
mais de 200 bombeiros, num total de 300 operacionais. Os restantes três
incêndios são nos distritos da Guarda (Vila Nova de Foz Côa), Castelo Branco
(Covilhã), e Coimbra (Soure).
Ao longo do dia de quarta-feira a
ANPC registou um total de 327 ocorrências, para as quais foram mobilizados 7561
operacionais e 1675 veículos. E o trabalho dos bombeiros deverá continuar a ser
complicado já que nesta quinta-feira mais de três dezenas de concelhos do Norte
e Centro de Portugal continental apresentam risco máximo de incêndio, de acordo
com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Ponte da Barca e Caminha (Viana
do Castelo), Cabeceiras de Basto (Braga), Ribeira de Pena e Vila Pouca de
Aguiar (Vila Real), Gondomar e Valongo (Porto), Castelo de Paiva (Aveiro),
Cinfães, Resende, São Pedro do Sul, Castro Daire, Vila Nova de Paiva, Moimenta
da Beira, Sernancelhe e Mangualde (Viseu), Miranda do Corvo, Arganil, Góis,
Pampilhosa da Serra (Coimbra), Guarda, Gouveia, Sabugal, Celorico da Beira,
Fornos de Algodres, Aguiar da Beira e Trancoso (Guarda), Oleiros, Sertã e Vila
de Rei (Castelo Branco), Castanheira de Pêra, Pedrógão Grande e Figueiró dos
Vinhos (Leiria), Sardoal e Mação (Santarém), são os concelhos que estão hoje
com risco máximo, cita a Lusa.
O risco de incêndio determinado
pelo IPMA engloba cinco níveis, variando entre reduzido e máximo. O cálculo é
feito com base nos valores observados às 13h de cada dia da temperatura do ar,
humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação ocorrida
nas últimas 24 horas.
Romana Borja-Santos
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Fonte: PÚBLICO
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