Um dos professores, Gonçalo Vieira, que esteve ali em campanha, no âmbito de projecto internacional, precisava da colaboração de alunos para o tratamento dos dados e ela viu ali uma boa hipótese de "fazer trabalho a sério". Não hesitou. O tema pode parecer um pouco longínquo, mas o permafrost (na Antárctida, mas também no Árctico), e a sua relação com aquecimento global, é um dos temas fortes que vai estar em foco no Ano Polar Internacional (API), iniciativa que vai congregar as pesquisas e os esforços dos cientistas polares de todo o mundo, entre Março de 2007 e Março de 2009. A expectativa sobre o Ano Polar Internacional é que ele se torne um dos grandes acontecimentos científicos do início do século, e que permita aumentar o conhecimento sobre os pólos, e sua influência no sistema global terrestre, para um novo patamar. Foi isso que aconteceu, aliás, nas duas anteriores iniciativas deste tipo, em 1882 e em 1932.
Para o pequeno grupo de investigadores portugueses que há alguns anos trabalham sobre a biologia, a geomorfologia, a geologia, meteorologia ou climatologia das regiões polares, "este é também o momento para juntar esforços e afirmar as ciências polares no País", explica o professor e investigador da Universidade de Lisboa Gonçalo Vieira, que é também especialista em permafrost e um dos impulsionadores do Comité Português para o API 2007/2008. Este comité, um grupo de dez investigadores que há dois anos começou a preparar a participação nacional no Ano Polar, apresenta hoje, aliás, a estratégia científica que delineou.
Raquel ainda não faz parte desta pequena comunidade de cientistas portugueses. Mas está a trabalhar para isso. E no âmbito do Ano Polar tem até um papel activo, já que é a representante nacional na rede internacional de jovens investigadores para o permafrost (Permafrost Young Researchers Network), cujo objectivo é a troca de informação e experiências, mas sobretudo a "construção" da futura geração de investigadores nesta área. A jovem portuguesa é exemplo dessa geração. Ainda não concluiu a licenciatura - está a terminar Geografia na Universidade de Lisboa - mas já tem o caminho apontado para a investigação científica. O trabalho sobre a ilha Livingstone, espera ela, é só o princípio.
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Fonte (Texto e Imagem): DN
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