sexta-feira, 30 de junho de 2017

6304. PORTUGAL: Tendência climática para o 3º trimestre de 2017



6303. RANKING EUROPEU: Tendência climática para o Verão de 2017

VERÃO 2017
(Julho/Agosto/Setembro)
  Tendência climática para o terceiro trimestre de 2017
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TEMPERATURAS MÁXIMAS DIÁRIAS
Regiões com maior probabilidade de virem a registar um maior número de dias com temperaturas máximas diárias superiores aos valores máximos normais deste trimestre.
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TEMPERATURAS MÍNIMAS DIÁRIAS
Regiões com maior probabilidade de virem a registar um maior número de dias com temperaturas mínimas diárias inferiores aos valores mínimos normais deste trimestre.
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PRECIPITAÇÃO MÁXIMA DIÁRIA
Regiões com maior probabilidade de virem a registar um maior número de dias com precipitações máximas diárias superiores aos valores máximos diários normais deste trimestre.
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 Prováveis regiões da Europa
com valores INFERIORES à média
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PRIMAVERA 2017
(Abril/Maio/Junho)
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TEMPERATURA MÁXIMA DIÁRIA
(Acumulada)
Tendência para menos calor
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TEMPERATURA MÍNIMA DIÁRIA
(Acumulada)
Tendência para menos frio 
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PRECIPITAÇÃO MÁXIMA DIÁRIA
(Acumulada)
Tendência para uma diminuição da precipitação
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quinta-feira, 29 de junho de 2017

6302. PORTUGAL CONTINENTAL: Tempo muito fresco

Fonte: MeteoPT
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Fonte: Webcam BRAGA
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Portugal Continental com tempo muito fresco, associado à passagem de um vale depressionário, associado a um núcleo de ar muito frio em altitude (temperaturas inferiores aos 20 ºC negativos aos 500 hPa) que se desloca para sueste. Presença de nebulosidade, em especial nas regiões do norte e centro, com ocorrência de aguaceiros e vento moderado com rajadas, especialmente no litoral oeste e terras altas.
Na Serra da Estrela (Torre), a temperatura do ar oscilou hoje entre os 1,4 ºC (mínima) e os 4,3 ºC (máxima).

quarta-feira, 28 de junho de 2017

6301. PEDRÓGÃO GRANDE: IPMA ainda não tem dados que confirmem se foi trovoada seca a causar a tragédia

Foi a primeira tese oficial avançada logo após a tragédia em Pedrógão Grande: um raio fruto de trovoada seca estaria na origem do incêndio que matou pelo menos 64 pessoas. As últimas horas têm sido marcadas pelas dúvidas sobre se afinal foi ou não assim. Dados conclusivos só esta quarta-feira, sabe o Expresso. Presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) refuta teorias de conspiração. A suspeita de terá sido um raio caído sobre uma árvore junto da aldeia de Escalos Fundeiros a causa do imenso incêndio que deflagrou no concelho de Pedrógão Grande, tirando a vida a 64 pessoas, não está esclarecida. Nem sequer pela autoridade responsável.
No domingo, o director nacional da Polícia Judiciária (PJ), Almeida Rodrigues, afirmou que as autoridades policiais tinham conseguido “determinar a origem do incêndio” e que tudo apontava “muito claramente para causas naturais”, tendo então sido encontrada “a árvore que foi atingida por um raio”. Contudo, os dados em bruto disponibilizados no sítio da Internet do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) no passado sábado não indicavam registo de qualquer descarga eléctrica entre Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos, estando todas as ocorrências de trovoadas secas sinalizadas a leste, sudeste e nordeste do local onde tudo terá supostamente começado.
A polémica estalou, levando o primeiro-ministro, António Costa, a colocar entre as três questões “que necessitam de esclarecimento urgente”, uma específica para apurar se “houve no local circunstâncias meteorológicas e dinâmicas geofísicas invulgares que possam explicar a dimensão e intensidade da tragédia”. A resposta só deverá chegar esta quarta-feira. “A análise definitiva dos dados não está fechada e só amanhã (quarta-feira) teremos o relatório final”, afirma ao Expresso o presidente do IPMA, Miguel Miranda. O responsável reitera que “há indícios de que houve trovoada seca, tendo em conta a informação registada no terreno pelos especialistas forenses”. Miguel Miranda garante que os técnicos do IPMA vão analisar e apresentar o relatório final com base nos dados do sistema e indo ao terreno e que, “se não houver evidências de que houve ali trovoada seca, é isso que constará no relatório”.
O responsável lamenta e refuta o que classifica como “teorias da conspiração” que falam de dados que desapareceram da página online do IPMA no domingo e argumenta que “os dados em bruto não tratados costumam sair do site em menos de 48 horas para serem trabalhados no back office”. O sistema gerido pelo IPMA tem por base uma rede que identifica em tempo real informação sobre as descargas eléctricas na atmosfera em várias localizações, podendo estes raios chegar ou não a terra. No entanto, é necessário interpretar os dados e possíveis falhas no serviço.
A tese de que tudo começou com uma trovoada seca no eucaliptal junto a Escalos Fundeiros não convence os moradores da aldeia. “Andam para aí a inventar que caiu um raio numa destas árvores, mas os únicos trovões que ouvi nessa tarde estavam longe, para os lados da Sertã”, afirmou ao Expresso Miguel Serrano, de 75 anos, na segunda-feira. A ideia é corroborada por Alcinda Barata, uma reformada de 71 anos, que não tem dúvidas de que o fogo começou ali, mas muitas horas antes de escutar os primeiros estrondos vindos do céu.
“Há alguma indefinição sobre se a origem do incêndio foi mesmo um raio”, admite fonte do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. No entanto, os técnicos da floresta dizem não ter dúvidas de que “o que ali aconteceu e a dimensão do fenómeno está associada à ocorrência de trovoadas secas na região”. Já a PJ mantém-se reservada. Fonte da força que investiga as causas do incêndio apenas afirma: “Não temos indicação de que o incêndio tenha tido mão humana. Teve causas naturais”.
O incêndio que teve origem no sábado em Pedrógão Grande alastrou para os concelhos de Figueiró dos Vinhos, Alvaiázere, Penela e Góis, tendo já devastado mais de 50 mil hectares, segundo dados do European Forest Fire Information System (EFFIS).
Carla Tomás, Hugo Franco
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Fonte: Expresso

6300. Pedrogão Grande: 20 perguntas que não podem ficar sem resposta

A memória das vítimas mortais, os respectivos familiares, os feridos, os que escaparam à morte mas tudo perderam, os bombeiros que lutaram e lutam até à exaustão contra os fogos e todos os cidadãos em geral devem exigir respostas a estas questões.

1ª Por que razão a Polícia Judiciária, sempre tão cautelosa a avançar explicações para incidentes e acidentes, desta vez se apressou logo, e pela boca do seu Director Nacional, a afiançar que o incêndio tinha origem em causas naturais, mais exactamente numa árvore atingida por um raio de uma trovoada seca na zona de Escalos Fundeiros?

2ª É ou não certo que diversos habitantes da mesma zona de Escalos Fundeiros negaram que tivessem existido quaisquer trovoadas secas na região, confirmando que tinham existido, isso sim, mas mais tarde e para os lados da Sertã?

3ª Por que é que a página do IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera – que tem diariamente esse registo, e até com a possibilidade de recuo até ao dia anterior – no passado Domingo, 19/6, não tinha registo algum de descargas eléctricas no território nacional e porque é que o Presidente do mesmo Instituto veio depois, em conferência de imprensa, afirmar que afinal haveria registos dessas descargas na região de Escalos Fundeiros no início da tarde de Sábado, mas não conseguiu de todo explicar porque é que então não estavam disponíveis na dita página?

4ª É ou não verdade que no IPMA há falhas frequentes nesse tipo de registos visto o site, por diversas, para não dizer inúmeras, vezes, não interpreta correctamente os dados do algoritmo usado pelo Instituto?

5ª Existem, ou não, na região, e se existem, estavam operacionais, ou não, e porquê, torres e/ou câmaras de vigia de incêndios?

6ª Corresponde ou não à verdade que as condições atmosféricas do passado Sábado, 17 de Junho, não foram inéditas e por que razão, sendo conhecidas, não foram adoptadas quaisquer medidas especiais de aviso às populações e de detecção e combate a qualquer eventual fogo que era previsível que surgisse?

7ª A ter havido trovoadas secas na região de Escalos Fundeiros – onde o incêndio terá tido início cerca das 14h43 – é ou não verdade que, como aliás admitiu publicamente o próprio Presidente da Liga de Bombeiros, Jaime Marta Soares, as mesmas só se teriam verificado mais de duas horas depois (cerca das 16h30/16h45), pelo que, ao contrário do referido pela Polícia Judiciária, nunca poderiam ter sido a origem do mesmo incêndio?

8ª Como é possível, e por decisão de quem, que às 18h30, ou seja, quatro horas depois do princípio do incêndio, com o fogo descontrolado e ainda por cima numa zona que é conhecida como um autêntico “barril de pólvora”, só estivessem 156 homens, 46 viaturas e 3 meios aéreos?

9ª Como é possível que somente às 20h00 de Sábado (ou seja, 6 horas depois do início do incêndio!) o Comando Distrital de Leiria da Protecção Civil haja assumido o comando das operações?

10ª Como foi possível – tal como denunciou, entre outros, Fernando Curto, Presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais – permitir-se não só a permanência de pessoas no perímetro do fogo, para mais de um fogo naquela região e com aquelas características, como até elas serem, pela própria GNR, desviadas e encaminhadas para dentro do tal perímetro, mais exactamente para a Estrada Nacional 236-1 que liga Figueiró dos Vinhos a Castanheira de Pêra e na qual, em dezenas de metros, morreram 47 pessoas?

11ª Não é absolutamente intolerável que o Tenente Coronel Carlos Ramos, da GNR, no briefing realizado 3ª feira de manhã no Posto de Comando em Avelar, haja respondido a esta mesma questão da seguinte forma: “Não domino essa informação. Cheguei a Ansião numa altura em que isso já tinha passado” (sic)?

12ª Era ou não imperativo e também possível interditar a referida EN-236-1, designadamente bloqueando a entrada e saída principais e colocando alguns operacionais no início das respectivas ramificações?

13ª O tristemente famoso SIRESP (rede nacional de emergência e segurança, isto é, sistema de comunicação rádio entre todas as entidades e autoridades de emergência e de segurança) foi ou não um dos grandes negócios da SLN – Sociedade Lusa de Negócios (da qual foi administrador, a convite de Oliveira e Costa, o Procurador-Geral Adjunto e ex-Director do SEF, do SIS e do DCIAP, Daniel Sanches), celebrado, por 500 milhões de euros, e apenas 3 dias após as eleições que o PSD perdeu, com o Governo de Santana Lopes, e que foi o mesmo Daniel Sanches, Ministro (em 2004 e 2005) da Administração Interna do referido Executivo que assinou, como membro de um Governo já só de gestão, o respectivo despacho de adjudicação?

14ª Tal sistema SIRESP – cujo negócio António Costa, enquanto Ministro da Administração Interna do 1º Governo de Sócrates, não cancelou, antes chancelou e confirmou com um desconto de 14,5 milhões de euros, fechando o negócio com Oliveira e Costa por 485,5 milhões de euros, sendo que até 2014 ele já custara 270 milhões ao erário público – não falhara já, e de forma estrondosa, em Agosto do ano passado, aquando do grande incêndio do concelho do Sardoal, tendo então ficado inoperacional durante 17 longas horas, entre o final da tarde de 23/8 e a manhã de 24/8?

15ª E o mesmo sistema SIRESP – não obstante dever ser um sistema à prova de cataclismos e apesar de todos os inquéritos e informações (claro que mantidos confidenciais) de 2016 – não voltou agora a falhar, e a falhar redondamente, no incêndio de Pedrógão Grande, durante horas a fio, pois as respectivas estações fixas foram destruídas e, das quatro estações móveis, só uma estava disponível e levou horas a ser posta em funcionamento?

16ª Em que medida, e por responsabilidade de quem, essa milionária inoperacionalidade possibilitou ou facilitou todas ou, pelo menos algumas, das questões acima colocadas?

17ª É ou não verdade (como denunciou o Coronel João Marquito, da AOFA – Associação dos Oficiais das Forças Armadas, em posição tornada pública em 10/08/16) que o mesmo Governo de Sócrates e os seguintes proibiram ou inviabilizaram a utilização, no combate aéreo aos incêndios, dos aviões C-130 da Força Aérea Portuguesa, os quais tinham uma enorme capacidade operacional e cujos kits desse combate a incêndios ficaram assim a apodrecer na Base Aérea do Montijo, tudo isto enquanto António Costa, então Ministro da Administração Interna, e também com a ajuda de Diogo Lacerda Machado, se envolveu no até hoje obscuro negócio da aquisição dos 6 helicópteros Kamov, dos quais, aliás, apenas 3 se encontram presentemente operacionais?

18ª É ou não verdade que, estando actualmente no Regimento de Beja, para exercícios militares, um batalhão com 300 militares e 100 médicos, cujo envio para o teatro de operações o Exército disponibilizou prontamente, ainda agora tal envio aguarda autorização da Protecção Civil?

19ª É ou não verdade que, com o novo regime legal da arborização de 2013, aprovado pelo Governo Coelho/Portas (o Decreto Lei nº 138/2013, de 19 de Julho) – regime esse que passou a tratar o eucalipto como qualquer outra espécie, aligeirou e facilitou o respectivo processo administrativo, passando a admitir inúmeras situações de mera comunicação e não já de autorização prévia, permitiu o contorno das restrições e proibições da Reserva Ecológica Nacional (REN) por quaisquer programas públicos ditos de apoio ao desenvolvimento florestal e possibilitou a plantação do referido eucalipto em áreas onde anteriormente existiam outras espécies – mais de 90% de todas as espécies entretanto plantadas passaram a ser do mesmo eucalipto, num total, só nos 3 primeiros meses da aplicação dessa lei, de 1400 hectares?

20ª E é ou não verdade que o Governo de António Costa, não obstante os protestos e as denúncias feitos desde há anos por inúmeras entidades e personalidades ambientalistas – designadamente acerca da destruição das espécies autóctones no país, da ausência do adequado ordenamento do território e, precisamente, do considerável aumento do perigo de incêndios de grandes dimensões e de consequências muito graves – e apesar de todas as promessas feitas pela Ministra da Administração Interna e pelo Ministro da Agricultura aquando dos incêndios do Verão passado e das gongóricas Resoluções do Conselho de Ministros de 21 de Março de 2017, manteve no essencial a mesma actuação política, cedendo uma vez mais aos grandes interesses ligados à madeira e à pasta de papel e praticamente apenas se preocupando com aquilo a que chama de “eficiência” da florestação?

António Garcia Pereira
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Fonte: Tornado

6299. PORTUGAL CONTINENTAL: Tempo instável e descida de temperatura


Imagem de satélite às 10h00
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Fonte: SAT24
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O dia de hoje fica marcado meteorologicamente pela aproximação e passagem de uma superfície frontal fria sobre o território de Portugal Continental, originando períodos de chuva que se estendem do litoral para o interior e de norte para sul e a uma descida moderada da temperatura do ar. A entrada de uma massa de ar polar fria pós-frontal e novas linhas de instabilidade irão dar origem a passagem dos períodos de chuva a aguaceiros, pontualmente acompanhados de trovoadas nas regiões do norte e centro.

sábado, 24 de junho de 2017

6296. Fotografia mostra quando começou o incêndio (“muito antes da trovoada”)

As suspeitas de que o grande incêndio de Pedrógão Grande foi originado por mão criminosa crescem, com relatos de populares e de bombeiros. E o início do fogo está registado numa fotografia, que será a primeira tirada ao incêndio, muito antes de se ouvir a trovoada.
A imagem foi registada por Daniel Saúde, de 39 anos, que se encontrava com a mãe, na casa em Escalos Fundeiros, localidade de Pedrógão Grande, onde começou o grande incêndio que matou 64 pessoas. Em declarações ao jornal Expresso, que divulga a fotografia, Daniel Saúde conta que ligou para o 112 às 14:38 horas, a reportar o incêndio, e que registou a imagem do fogo pelas 15:17 horas e “não havia trovoada no ar”, garante.
A origem do incêndio foi atribuída a uma trovoada seca e a Polícia Judiciária anunciou ter encontrado a árvore, atingida por um raio, onde o incêndio terá começado. Muitos populares garantem contudo que não ouviram trovoadas quando o incêndio começou e o presidente da Liga dos Bombeiros, Jaime Marta Soares, também fala em suspeitas de “mão criminosa”. Daniel Saúde é igualmente defensor desta teoria, lamentando ainda não ter sido ouvido pelas autoridades, mesmo depois de ter sido ele um dos primeiros a dar o alerta de incêndio.
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Fonte (texto): ZAP Fotografia: Expresso

6295. Em Mação todas as aldeias têm motobombas e grupos de autodefesa

Com um longo historial de incêndios e mais de 120% do território fustigado pelos fogos nas últimas décadas, o concelho de Mação desenvolveu um conceito de reordenamento do território florestal e deu armas de defesa e combate às aldeias. Em declarações à Lusa, António Louro, coordenador da Protecção Civil Municipal, disse que Mação fez distribuir dezenas de motobombas por todas as aldeias do concelho, "para um primeiro combate enquanto os bombeiros não chegam", e criou o sistema McFire, ferramenta informática que permite levar a informação sobre a zona de combate para o posto de comando e monitorizar o desenvolvimento do fogo em tempo real.
Com mais de uma centena de pequenos aglomerados populacionais espalhados pelos 41 mil hectares do território de Mação, essencialmente florestal, o objectivo da distribuição de motobombas é "dar alguma capacidade de autoprotecção às populações das aldeias mais isoladas", tendo a autarquia promovido ainda a criação de grupos de autodefesa. "O descontrolo de qualquer incêndio nascente representa um significativo perigo para as populações e seus bens, sendo que, em 2003, foram muitas as situações em que os incêndios florestais atingiram as áreas limítrofes e até o interior de aglomerados populacionais, tendo-se verificado, inclusivamente, situações de várias aldeias estarem a ser atingidas pelo fogo e sem a presença de viaturas de bombeiros", observou António Louro.
"Desta forma todas as aldeias ficaram dotadas de meios que poderão utilizar na sua autodefesa", destacou o mentor de projectos de prevenção, vigilância e combate a incêndios de Mação, tendo lembrado que, em situações de fogo, "a protecção dos aglomerados urbanos e das suas populações sobrepõem-se ao combate do incêndio florestal, verificando-se, mesmo assim, que os meios no local são sempre em número inferior às necessidades. Nesse sentido, foram entregues a cerca de 80 aldeias do concelho motobombas e respectivos depósitos com capacidade para 600 litros, e ministradas instruções para o correcto manuseamento e manutenção destes equipamentos.
"Em todos os aglomerados onde existem colectividades ou associações recreativas, os equipamentos estão à guarda destas instituições. Nos aglomerados mais pequenos encontram-se à guarda de cidadãos a título individual", contou aquele responsável. Assim, frisou Louro, "e até à chegada dos bombeiros, a população tem este recurso para fazer, no mais curto intervalo de tempo, um primeiro ataque às chamas, que na maioria das situações se revela essencial para o controle e extinção das mesmas".
Quanto ao McFire, "é um sistema muito útil no apoio à decisão imediata, porque dá a exacta realidade do que se passa no terreno, transmitindo uma visualização adequada das áreas de incêndio, da sua possível progressão e da exacta localização do fogo, e que permite fazer a escolha do ponto adequado para ataque a um ponto de incêndio, ou a determinação do caminho para lá chegar, funcionado como uma célula de planeamento das intervenções a realizar", destacou. Por outro, acrescentou, o sistema MacFire, através da utilização da tecnologia GPS, "dá a imediata informação sobre a localização de todos os meios terrestres envolvidos no combate, sabendo-se, a todo o momento, a exacta posição de cada viatura, além de informações para reconstituição histórica e análise" da ocorrência.
"O sistema MacFire é muito útil na recolha e gestão de informação para definir a melhor estratégia para a utilização dos meios de combate disponíveis", vincou, tendo lembrado ainda a importância das 'buldozzers' no combate directo, estando as duas de Mação equipadas com GPS e rádio.
Segundo lembrou António Louro, "desde 2003 foi criada a AfloMação, associação dos proprietários florestais do concelho, foi construída uma rede de caminhos florestais com mais de 2200 quilómetros, e diversos grandes pontos de água onde os helicópteros possam atestar, como a lagoa do Bando, que se localiza exactamente no centro do concelho", elencou. Além do Plano Municipal de Ordenamento Florestal, foi ainda implementado um sistema municipal de vigilância e primeira intervenção, rede de comunicação municipal via rádio, sinalética florestal, circulares de protecção aos aglomerados urbanos, rede de faixas de gestão de combustíveis e linhas eléctricas, e ainda as duas 'bulldozers' sempre prontas a sair nas alturas críticas.
A constituição do Gabinete Técnico Florestal, postos de vigia e equipamentos de navegação por GPS em todas as viaturas da Protecção Civil e bombeiros municipais, que permitem o controlo da sua localização e situação de operacionalidade em tempo real, são outros elementos elencados por António Louro no conjunto de "ferramentas fundamentais de combate" aos incêndios.
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sexta-feira, 23 de junho de 2017

6294. Tempo muito quente em Portugal continental : Junho 2017

Maiores valores de temperatura máxima (Junho 2017)
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Maiores valores de temperatura mínima (Junho 2017)
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quinta-feira, 22 de junho de 2017

6293. Praia fluvial de Monsaraz: condições convectivas extremas (17.06.2017)

A viagem iniciou-se em Estremoz por volta das 14h30, tendo como destino final a praia fluvial do Centro Náutico de Monsaraz, nas margens do Lago do Alqueva. A saída inicíou-se debaixo de um céu pouco nublado e uma tarde muito calorosa, com a temperatura a rondar os 41 ºC; alguma nebulosidade em desenvolvimento para sueste.
Ao longo do caminho (cerca de 60 quilómetros) a temperatura do ar vai mantendo-se constante e a nebulosidade vai aumentando, uma vez que os principais núcleos convectivos se vão desenvolvendo para sueste, exactamente a direcção que vamos tomando para Monsaraz.

A chegada à praia fluvial ocorreu por volta das  16h45; o céu apresenta-se muito encoberto (seis oitavos), a temperatura ronda os 39 ºC/ 40 ºC e após um breve tempo de exposição ao sol, fomos a banhos...

Ao longe, sobretudo para leste (Espanha) observam-se agora bandas de precipitação. A pouco e pouco vão crescendo cumulonimbos dispersos, quase todos a leste... Meia hora mais tarde começam-se a observar raios ao longe (nordeste).

É a nordeste que começa a desenvolver-se um imponente cumulonimbo que, olhando para o seu topo, vai-se aproximando ... Aumenta a intensidade dos raios e começam-se a ouvir os primeiros trovões.
A bandeira vermelha é içada mas nem todos os banhistas se retiram da água. Entretanto levanta-se um vento moderado e muito quente, procedendo de nordeste, ao mesmo tempo que o céu vai ficando cada vez mais escuro.

Para observar a tempestade que se aproxima restam duas hipóteses: ir para o carro ou ficar no bar de apoio à praia. Entretanto ainda há tempo de dizer aos nadadores salvadores para o perigo que algumas pessoas estavam a correr por se manterem dentro de água com a chegada da tempestade...

Não demora nada em começar a chover, ao mesmo tempo que o vento se tornou moderado a forte, talvez rajadas na ordem dos 40 a 60 quilómetros por hora. Agora quase toda a gente recolhe ao bar de apoio, espaço gentilmente cedido pelos proprietários para que todos se possam refugiar da tempestade.

Cerca de quinze minutos de chuva acompanhada por vento muito forte... Baixa densidade de descargas eléctricas.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

6292. Tragédia em Pedrógão Grande: IPMA diz que houve condições excepcionais para a propagação do fogo

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) considera que a "dinâmica" gerada pela conjugação entre incêndio e instabilidade climatérica, no sábado, em Pedrógão Grande, gerou no terreno condições excepcionais para a propagação das chamas.
Na carta dirigida ao primeiro-ministro, António Costa, ao qual a agência Lusa teve acesso, o IPMA sustenta também que as suas previsões para a tarde de sábado, na região de Pedrógão Grande, estiveram dentro da margem de erro. Por outro lado, que os seus avisos feitos às populações seguiram as regras fixadas na relação com os serviços de protecção civil.
Estas posições estão assinadas pelo presidente do IPMA, Jorge Miguel Miranda, e surgem na sequência de um pedido de esclarecimento urgente do primeiro-ministro, feito na terça-feira, às previsões e às condições meteorológicas verificadas no sábado à tarde na zona de pinhal do distrito de Leiria, em particular no concelho de Pedrógão Grande. Esta carta do presidente do IPMA foi já publicada no portal do Governo na Internet, tendo sido também enviada aos diferentes grupos parlamentares.
No que diz respeito às condições que determinaram situações no terreno de excepcional gravidade, o IPMA advoga que "foram o resultado da conjugação da dinâmica do próprio incêndio e dos efeitos da instabilidade atmosférica, gerando downburst, ou seja, vento de grande intensidade que se move verticalmente em direção ao solo, que após atingir o solo sopra de forma radial em todas as direções". "Este fenómeno é por vezes confundido com um tornado, e tem um grande impacto em caso de incêndio florestal por espalhar fragmentos em direções muito diversas", salienta o presidente do IPMA na resposta a António Costa.
De acordo com as informações já recolhidas pelo IPMA, "o desencadeamento e/ou a propagação do incêndio poderá ter sido amplificado pela conjugação dos factores descritos, e a importância excepcionalmente elevada de efeitos locais relacionados com fenómenos de convecção atmosférica associados à humidade muito reduzida, e a dinâmica induzida pelo próprio incêndio". "Esta situação tão complexa e excepcional está a ser objecto de um estudo aprofundado", é referido na missiva de Jorge Miguel Miranda, numa alusão a uma comissão entretanto nomeada para apurar em profundidade o que se passou na região de Pedrógão Grande na tarde de sábado.
Em relação às previsões feitas pelo IPMA para a região de Pedrógão Grande para a tarde sábado, na carta dirigida a António Costa sustenta-se que "os valores previstos com quatro dias de antecedência se vieram a confirmar pelos valores medidos, com desvios reduzidos em termos de temperaturas máxima e mínima, humidade relativa e velocidade média do vento". Segundo os dados do IPMA, no caso da humidade relativa "existe uma variação um pouco mais significativa, se bem que os valores previstos no dia anterior, correspondendo à informação mais relevante, foram ligeiramente inferiores ao observado (14% em vez de 17%). Estas diferenças têm pouco significado físico".
"No que diz respeito à velocidade do vento, existe uma variação mais significativa ao longo dos quatro dias anteriores, mas a previsão realizada com 24 horas de antecedência reproduz bem as observações (21 km/h em vez de 18 km/h). Neste sentido, o sistema de previsão meteorológico para as condições de superfície, funcionou de forma correcta, dentro de margens de erro expectáveis, definindo o quadro sinóptico de tempo muito quente, com temperaturas máximas muito elevadas, próximas de 40ºC, temperaturas mínimas igualmente elevadas, humidade relativa muito baixa, vento fraco ou moderado nos locais elevados, e condições de instabilidade, com possibilidade de ocorrência de aguaceiros de trovoadas durante a tarde".
Na carta de resposta enviada a António Costa, este instituto adianta, igualmente, que do mesmo modo se "confirma que os níveis de avisos emitidos estavam de acordo com as regras fixadas entre o IPMA e a ANPC (Autoridade Nacional de Protecção Civil)".
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