A concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera, tidos como culpados pelas alterações climáticas, registou níveis recordes em 2005, representando um aumento de 0,53 por cento em relação a 2004, revela a Organização Mundial de Meteorologia (OMM). Num relatório divulgado hoje (03.11.2006), em Genebra, a organização diz que em 2005 foram registadas 379,1 partes por milhão (ppm) de dióxido de carbono. Um ano antes, esse valor era 377,1 ppm."O aumento de 35,4 por cento nas concentrações de dióxido de carbono desde o final do século XVIII foi causado, em grande medida, pelas emissões libertadas pela queima de combustíveis fósseis", considera a OMM, em comunicado. As concentrações de óxido nitroso também registaram níveis recorde, aumentando 0,19 por cento de 318,6 ppm para 319,2 ppm. Um terço das emissões é resultado de actividades humanas, como a queima de combustível e biomassa, a utilização de fertilizantes e vários processos industriais.
O metano manteve-se estável nas 1783 ppm. Sessenta por cento deste gás é libertado pela exploração dos combustíveis fósseis, cultura do arroz, queima de biomassa, lixeiras e gado. Geir Braathen, cientista da OMM citado hoje pela BBC online, diz que "não existem sinais de que as concentrações de óxido nitroso e o dióxido de carbono estejam prestes a diminuir. Parece que vai continuar assim num futuro próximo". Para Braathen, "cada ser humano deste planeta deveria pensar quanto dióxido de carbono emite e tentar fazer alguma coisa sobre isso".
A divulgação deste relatório antecipa a participação da OMM na segunda cimeira das partes do Protocolo de Quioto, tratado sobre a redução das emissões dos gases com efeito de estufa. Este encontro realiza-se simultaneamente com o COP12 da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, de 6 a 17 de Novembro, em Nairobi, no Quénia.
Na segunda-feira, um relatório elaborado pelo economista Nicholas Stern alertou para os graves problemas que a humanidade vai enfrentar se continuar a ignorar as alterações climáticas. Portugal está entre os países europeus mais afectados pelo sobre-aquecimento do planeta.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Fonte: Jornal PÚBLICO (on line)
Sem comentários:
Enviar um comentário