quarta-feira, 8 de novembro de 2006

605. Custo das alterações climáticas superiores a 5 500 milhões de euros

O aquecimento global pode custar 5,5 mil milhões de euros à economia global se não forem tomadas medidas radicais nos próximos dez anos, um custo comparável ao de duas guerras mundiais, alerta um relatório britânico ontem divulgado. Portugal, Espanha e França estão entre os países europeus mais afectados pelo aquecimento global, segundo o mesmo documento, que aponta consequências como a falta de água, as ondas de calor e os fogos florestais.
Encomendado há um ano pelo ministério britânico da Economia, o estudo de 700 páginas da autoria de Nicholas Stern, um ex-responsável do Banco Mundial, prevê que as alterações climáticas possam provocar uma recessão à escala mundial. Os custos poderão ser superiores a 5,5 mil milhões de euros caso não sejam tomadas medidas. Ou seja, mais do que custaram as duas guerras mundiais ou mais do que os impactos da Grande Depressão de 1929, podendo tornar inabitáveis grandes zonas do planeta. Com efeito, o estudo estima que o número de refugiados como resultado do processo de alterações climáticas, vítimas de secas ou inundações se eleve a 200 milhões de pessoas.
Durante a apresentação do relatório, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, considerou que as alterações climáticas poderão custar entre cinco e 20 por cento do Produto Interno Bruto mundial, todos os anos. Mas mesmo que a poluição acabasse agora, os gases com efeito de estufa continuariam a aquecer o clima durante mais de trinta anos com o nível dos mares a continuar a subir durante mais um século.
O relatório Stern evidencia as grandes variações climáticas na Europa. «O Mediterrâneo vai assistir a um aumento do stress hídrico, ondas de calor e fogos florestais. Portugal, Espanha e Itália serão os países mais afectados. Isto poderá levar a uma mudança para Norte no que respeita ao turismo de Verão, agricultura e ecossistemas», refere o documento. Já o Norte da Europa poderá registar um aumento na produtividade agrícola, num cenário de adaptação à subida das temperaturas, e menos necessidade de gastar energia no Inverno.
O estudo prevê também que muitos países costeiros em toda a Europa sejam vulneráveis à subida do nível do mar. São exemplos disso a Holanda, onde 70 por cento da população poderá ser ameaçada com uma subida de um metro no nível do mar, país que se encontra sobre um mais elevado risco potencial. Mas também outros países desenvolvidos de latitudes mais baixas, como é o caso de Portugal, contam-se entre os mais vulneráveis.
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Fonte:
Portal Ambiente

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