quarta-feira, 30 de agosto de 2017

6394. PORTUGAL CONTINENTAL: Verão com chuva

MAIORCA, Beira Litoral
 Precipitação acumulada »= 10,0 mm
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28 de Agosto
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Coimbra (Aeródromo) – 31,5 mm
Lousã (Aeródromo) – 26,7 mm
Viseu (Aeródromo) – 25,5 mm
Coimbra (Bencata) – 21,7 mm
Cabeceiras de Basto – 17,0 mm
Viseu – 16,7 mm
Montalegre – 14,5 mm
Lamas de Mouro (P. Ribeiro) – 13,5 mm
Anadia – 11,9 mm
Pegões – 10,6 mm
Santarém (Fonte Boa) – 10,2 mm
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29 de Agosto
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Montalegre – 29,4 mm
Elvas – 23,4 mm
Beja – 21,5 mm
Moimenta da Beira – 21,5 mm
Évora (Aeródromo) – 16,7 mm
Fundão – 14,7 mm
Reguengos (S. Pedro do Corval) – 14,4 mm
Zebreira – 10,8 mm
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Fonte: IPMA

terça-feira, 29 de agosto de 2017

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

6392. PORTUGAL CONTINENTAL: Chuvas provocam estragos de Norte a Sul

A chuva que se fez sentir esta segunda-feira em Lisboa causou algumas inundações na capital, mas os efeitos da chuva fizeram-se sentir igualmente noutras zonas do país.
Seis aviões com destino ao aeroporto Humberto Delgado, Lisboa, tiveram de ser desviados para Faro, devido à chuva e aos ventos fortes. Os voos precediam de Bolonha, Copenhaga, Luxemburgo, Milão, Paris e Porto, segundo o jornal i.
A Estrada Nacional 17 – Estrada da Beira foi cortada ao trânsito por volta das 16h30, entre São Frutuoso e a EN 17-1 para Semide, na sequência da queda de pedras na via, depois de se fazer sentir uma forte chuvada, informou a GNR.
Em Lisboa verificaram-se várias inundações um pouco por toda a capital, com especial incidência em Benfica e na zona do Oriente.
Foram também cortadas a Estrada Municipal 541, que liga a EN 17 a Ribas, e a EN 111, com ligação a Casal de Misarela. A agência Lusa informa que em breve será cortada a estrada que liga Condeixa-a-Nova a Eira Pedrinha.
Fonte do Comando Distrital de Operações e Socorro (CDOS) de Coimbra confirmou também esta ocorrência, assim como outras menores, que criaram menores constrangimentos.
Foram também registadas inundações na cidade de Coimbra, informa a mesma fonte do CDOS.
A página da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) dá conta de várias ocorrências resultantes da queda de chuva no concelho de Coimbra, mas também na Lousã e Miranda do Corvo.
Diogo Barreto
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Fonte: SÁBADO

6391. Segunda-feira, 28 de Agosto (18h00)



Imagem de Satélite às 18h00
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Fonte: SAT24
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Núcleo de ar frio centrado a sudoeste de Lisboa, provocando instabilidade sobre o território de Portugal Continental com a ocorrência de aguaceiros e trovoadas dispersas. O movimento giratório faz-se no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio.

6390. PORTUGAL CONTINENTAL: Madrugada e manhã instável

Descargas eléctricas até às 09h00
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Fonte: IPMA

domingo, 27 de agosto de 2017

6389. Incêndios: Coordenação “está a falhar incêndio após incêndio” (CDS-PP)

A coordenação operacional “está a falhar muitíssimo, não é de agora, incêndio após incêndio”, criticou no sábado a presidente do CDS-PP, anunciando que vai visitar Abrantes e Mação na segunda-feira.
Em declarações aos jornalistas na freguesia lisboeta da Ajuda, onde realizou uma acção de pré-campanha para as eleições autárquicas de 1 de Outubro, a que se candidata, Assunção Cristas frisou que “as condições meteorológicas não foram piores do que noutros anos” e “o número de ignições não foi pior, pelo contrário, foi inferior a outros anos”. Porém, “a área ardida e a dimensão dos incêndios é muito maior”, assinalou. “Isto sugere – eu não quero ser precipitada –, mas sugere uma grande descoordenação operacional no terreno”, avaliou, adiantando que, na segunda-feira, vai deslocar-se a Abrantes e Mação, iniciativa que alargará a outras zonas afectadas por incêndios, nomeadamente Pedrógão Grande, Fundão e Covilhã.
“Por outro lado, a parte da sensibilização não parece que tenha tido a necessária acção por parte do Governo”, criticou, recordando que sugeriu ao primeiro-ministro “que fizesse uma campanha forte, para evitar comportamentos negligentes”. Porém, o Executivo designou “apenas” uma porta-voz para a comunicação sobre os incêndios, não tendo retirado “as consequências do que se passou em Pedrógão Grande”, incêndio que causou 64 mortos e mais de 200 feridos.
As ignições de fogos, sejam negligentes, “na sua maioria”, ou intencionais, “têm uma fortíssima componente humana”, recordou. “Quando acontece o incêndio, tem de haver uma grande eficácia no combate e na coordenação e, este ano, o que nós vemos é um falhanço imenso na coordenação operacional no combate”, sentenciou.
A floresta não é causa dos incêndios, é vítima, alertou a ex-ministra da Agricultura, admitindo que gostaria de ter avançado mais nas áreas de cadastro e sensibilização, mas elogia as medidas relativas a terras abandonadas e fiscalidade florestal. “Temos que perceber que a floresta não é a causa dos fogos, é a vítima dos fogos, é a vítima das acções negligentes, das acções intencionais e depois [podemos falar de] responsabilidade na medida em que há estes problemas estruturais na propriedade”, disse hoje à agência Lusa Assunção Cristas, ministra da Agricultura e do Mar entre 2011 e 2015, nos governos de Passos Coelho.
“A floresta não produz o fogo por si, sozinha”, insistiu a actual líder do CDS-PP, referindo que “não há fogos se não houver ignições e os estudos mostram que a grande maioria dos casos, para não dizer quase todos, têm a ver com causas humanas, negligentes ou intencionais. As causas naturais são uma franja mínima”. Para enfrentar a negligência, Assunção Cristas defendeu “mais envolvimento dos meios de comunicação social, mais visibilidade e mais recursos para alocar a essa área, porque uma grande campanha custa muito dinheiro”. “Parece que estamos sempre a correr atrás do prejuízo”, referiu.
A sensibilização para a defesa da floresta, associada à prevenção de fogos, é um dos pontos que Assunção Cristas destaca na sua passagem pelo Governo, além das questões fundiárias estruturais – incentivos à agregação e ao trabalho conjunto como forma de ultrapassar as desvantagens da pequena dimensão das propriedades, cadastro e terras abandonadas ou sem dono conhecido – e do combate aos incêndios. “O que é mais rápido, apesar de tudo, é a mudança dos comportamentos, por isso, as acções de sensibilização, por um lado, e, por outro, as acções mais fortes em relação à mão criminosa, têm de ser também um foco prioritário”, apontou. Depois de os cidadãos estarem “fortemente sensibilizados”, acrescentou, será altura de aplicar multas a quem não cumpre e, então, “as pessoas ficam mais atentas”.
Quando chegou ao ministério, em Junho de 2011, Assunção Cristas encontrou o sector florestal “muito desprezado, porque se achava que era o parente pobre da agricultura (…), os fundos comunitários não estavam devidamente adequados” às suas necessidades, a execução era baixa e “uma parcela muito relevante de verbas estava em risco de ser devolvida a Bruxelas”. Segundo a ex-ministra, não havia resistência do sector, mas sim disponibilidade para as preocupações da diversificação do uso da floresta, de ter uma escala adequada, incentivos a uma gestão conjunta e reforço das Zonas de Intervenção Florestal (ZIF). Porém, lembrou, deparou-se com “um individualismo enorme da parte [tanto] dos proprietários florestais como dos agrícolas, uma dificuldade em fazer trabalho em conjunto”, o que se reflectia numa resistência nomeadamente a decisões estratégicas de instalação de povoamentos, corte e venda em grupo.
Os proprietários aceitavam alguma gestão conjunta na defesa contra incêndios ou questões fitossanitárias, mas “com muita dificuldade”, acrescentou. “Quando chegámos, os sapadores não tinham [feito] nenhum investimento nos anos anteriores, havia intenção de continuar a criar equipas, mas uma exiguidade enorme de recursos”, apontou ainda.
Assunção Cristas referiu, no entanto, que gostaria de ter ido “mais longe” na aprovação e concretização do funcionamento do cadastro e no desenvolvimento da sensibilização. Tenho pena de algum trabalho não ter tido continuidade, como [nas medidas relativas a] terras abandonadas e sem dono conhecido”, acrescenta a ex-ministra a quem se associa o avanço da reforma fiscal da floresta, “criando incentivos para que houvesse investimento”.
Acerca da prevenção, defendeu que, se as faixas de contenção – 50 metros à volta das casas e 100 metros em redor das aldeias – “estivessem sempre limpas, era uma garantia para que os bombeiros pudessem dedicar-se mais cedo às frentes florestais e impedir” o avanço do fogo. “As autarquias, no caso das casas particulares, não levantavam autos (…) ou não aplicavam coimas” e uma das medidas da ex-ministra foi “retirar essa competência às autarquias e colocá-la na secretaria-geral do Ministério da Administração Interna, através da GNR, para que [pudesse] ter mais eficácia”.
“Uma das grandes bandeiras” do anterior Governo, “que veio provocar uma reforma profunda”, descreveu, foi a legislação para as terras abandonadas e sem dono conhecido, levada “ao limite do que era possível do ponto de vista constitucional”, salvaguardando direitos de propriedade, mas permitindo que pudesse haver uma identificação progressiva e inclusão na bolsa de terras. O cadastro florestal, tema que atravessou vários executivos, chegou a ser discutido, mas “entendeu o Governo que estava demasiado em cima das eleições para aprovar uma legislação tão relevante”. Porém “ficou tudo pronto”, garante.
Recusando as críticas acerca do incentivo à expansão dos eucaliptos, a ex-ministra referiu que o regime aprovado visou “passar a ter um sistema de informação para saber, em cada momento, o que está a ser colocado no terreno”. Além disso, garantiu, o seu Governo equipou, em 2014, os sapadores e deixou preparada para 2015 a tarefa de reequipar todos com equipamento individual, tendo também sido iniciada a reposição do parque automóvel, com 20 jipes, deixando “o concurso para mais 59 e mais 20 novas equipas”.
As forças de segurança detiveram este ano 102 pessoas suspeitas do crime de incêndio florestal, quase o dobro do número registado em 2016, segundo o comandante da Autoridade Nacional de Protecção Civil. No ano anterior à chegada de Assunção Cristas ao Governo, em 2010, a área florestal ardida atingiu 133 mil hectares, enquanto em 2011 desceu para 73,8 mil hectares e em 2012 foi de 110,2 mil. No ano seguinte, o fogo destruiu 152,7 mil hectares.
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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

6388. Segunda-feira, 21 de Agosto (16h00)



Algumas temperaturas às 16h00
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Pinhão (Santa Bárbara) – 39,9 ºC
Mirandela – 39,7 ºC
Vila Real (Cidade) – 38,9 ºC
Chaves (Aeródromo) – 38,4 ºC
Moimenta da Beira – 38,0 ºC
Lousã (Aeródromo) – 37,9 ºC
Alvega – 37,9 ºC
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Foía – 24,5 ºC
Almada (P. Rainha) – 24,3 ºC
Figueira da Foz (Vila Verde) – 24,2 ºC
Cabo Carvoeiro – 23,1 ºC
Santa Cruz (Aeródromo) – 23,0 ºC
Cabo Raso – 23,0 ºC
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Fonte: IPMA

domingo, 20 de agosto de 2017

6387. PORTUGAL CONTINENTAL: Incêndios no interior


6386. Domingo, 20 de Agosto (16h00)



Algumas temperaturas às 16h00
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Lousã (Aeródromo) – 42,9 ºC
Tomar (Valdonas) – 42,1 ºC
Alvega – 42,1 ºC
Santarém (Fonte Boa) – 41,0 ºC
Rio Maior – 40,5 ºC
Avis (Benavila9 – 40,3 ºC
Reguengos (S. Pedro do Corval) – 40,3 ºC
Ansião – 40,0 ºC
Portel (Oriola) – 40,0 ºC
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Foía – 27,4 ºC
Sines – 27,1 ºC
Sintra (Colares) – 25,6 ºC
Santa Cruz (Aeródromo) – 22,7 ºC
Cabo Carvoeiro – 22,0 ºC
Cabo Raso – 21,2 ºC
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Fonte: IPMA

sábado, 19 de agosto de 2017

6385. IPMA: Tempo Quente no fim-de-semana 19 e 20 de agosto



Devido ao transporte de uma massa de ar quente e seco oriundo do interior da Península Ibérica, prevê-se valores elevados da temperatura do ar até dia 21, segunda-feira. Assim, a temperatura máxima do ar deverá variar entre 35°C e 40°C na generalidade do território, exceptuando a faixa costeira, onde deverá ser inferior a 30°C. Salienta-se que poder-se-ão atingir valores de 40/43°C, em particular na zona do vale do Tejo, no interior da região Centro e do Alentejo.
No dia 21, com a entrada de ar marítimo a partir da tarde, prevê-se uma descida dos valores da temperatura máxima do ar no litoral Norte e Centro.
A temperatura mínima do ar deverá subir na próxima madrugada, dia 20, com valores que deverão variar entre 20 e 25ºC na região Sul e interior Centro, em especial na Beira Baixa e no interior do Alentejo.
De acordo com a informação actual, o presente episódio corresponde a uma situação de tempo quente, com temperatura máxima acima dos valores médios para a época do ano em alguns distritos, mas não significativamente acima dos referidos valores, pelo que não configura uma situação excepcional.
O vento irá soprar do quadrante norte, tornando-se do quadrante leste a partir de dia 20, e sendo moderado a forte com rajadas até ao fim da manhã e para o final do dia nas terras altas do interior Norte e Centro. A partir da tarde de segunda-feira prevê-se uma diminuição da intensidade do vento e rotação para o quadrante oeste.
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Fonte: IPMA

domingo, 13 de agosto de 2017

6383. Incêndios: Aldeias evacuadas em Vila de Rei, Coimbra e Vila Real



Incêndio de Ferreira do Zêzere alastrou nas últimas horas para o concelho vizinho de Vila de Rei, e obrigou à evacuação preventiva de seis aldeias. Há nesta altura mais de dois mil bombeiros no combate às chamas um pouco por todo o país, de acordo com o mais recente ponto de situação da Protecção Civil.
O incêndio que lavra há já dois dias em Ferreira do Zêzere alastrou nas últimas horas para Vila de Rei, numa frente que lavra fora de controlo. De acordo com as últimas informações avançadas pela Protecção Civil, pelo menos 6 aldeias deste concelho tiveram de ser evacuadas de forma preventiva, face ao avançar das chamas. Os habitantes foram provisoriamente colocados na Casa Paroquial de Vila de Rei, e ainda numa residência de estudantes.
O ponto de situação feito às 19h pela adjunta de operações da Protecção Civil aponta para um total de 16 incêndios de maior dimensão a lavrar no país, dos quais quatro geram maiores preocupações para os bombeiros: tratam-se, para além do de Ferreira do Zêzere/Vila de Rei, do incêndio na Mealhada, distrito de Aveiro, Alvaiázere, distrito de Leiria, e ainda Carvalhosa, no distrito de Coimbra. Neste último caso há também a registar a necessidade de evacuação de aldeias.
No distrito de Vila Real, o incêndio cercou a aldeia de Parada do Pinhão, Sabrosa, onde pessoas mais idosas e doentes foram recolhidas na igreja para estarem protegidas do fumo que invadiu a aldeia, disse o presidente da autarquia.
O alerta foi dado cerca das 13:00 e o fogo chegou a ser dado como dominado por duas vezes, só que acabou por se reactivar e com mais intensidade. O presidente da Câmara de Sabrosa, Domingos Carvas, disse à agência Lusa que a "situação no terreno é complicada" e que "arde com muita intensidade".
Ainda de acordo com as informações avançadas pela Protecção Civil, há neste momento 2223 bombeiros mobilizados no combate às chamas em todo o país, apoiados por 596 viaturas. Ao abrigo do mecanismo europeu de Protecção Civil, activado na noite deste sábado pelo governo português, 3 meios aéreos enviados por Espanha têm estado a combater as chamas em Ferreira do Zêzere, bem como duas unidades terrestres.
O plano distrital de emergência de Coimbra permanece entretanto activo, bem como os planos municipais de emergência de Miranda do Corvo, Cantanhede e Ferreira do Zêzere.
Desde a passada quarta-feira a Protecção Civil tem registo de 42 feridos provocados pelos incêndios, dos quais 39 ligeiros, e 3 que inspiram maiores cuidados (dois bombeiros e um civil).
João Santos Duarte
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Fonte: Expresso

6382. Domingo, 13 de Agosto (16h00)

Algumas temperaturas às 16h00
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Alvega – 39,3 ºC
Tomar (Valdona) – 39,1 ºC
Pinhão (Santa Bárbara) – 38,2 ºC
Santarém (Fonte Boa) – 37,7 ºC
Avis (Benavila) – 37,7 ºC
Elvas – 37,7 ºC
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Aveiro (Universidade) – 24,4 ºC
Amada (P. Rainha) – 24,0 ºC
Dunas de Mira – 22,9 ºC
Santa Cruz (Aeródromo) – 19,4 ºC
Cabo Carvoeiro – 19,3 ºC
Cabo Raso – 18,5 ºC
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Fonte: IPMA

sábado, 12 de agosto de 2017

6381. Registado novo recorde de número de incêndios este ano



RTP Notícias (13h30) – Só esta sexta-feira, houve 220 incêndios, o valor mais elevado do ano. Os incêndios de Abrantes e Alvaiázere entraram em fase de rescaldo esta manhã, depois de, durante a noite, os incêndios de Cantanhede, Mealhada e Trofa terem sido dominados. A protecção civil mantém o alerta laranja até à próxima segunda-feira, devido ao aumento das temperaturas e a manutenção do tempo seco e vento forte.
Por volta das 13h00, estavam no terreno 2500 bombeiros a combater as chamas ou a fazer o rescaldo em 46 ocorrências, com o apoio de mais de 700 viaturas e 18 meios aéreos. Com a temperatura a aumentar este fim-de-semana, os bombeiros tentam evitar o cenário que se registou ontem, com um novo recorde de número de ocorrências num só dia. Foram 220 incêndios que lavraram em Portugal.
No briefing matinal a Autoridade Nacional de Protecção Civil, os incêndios de Abrantes e Alvaiázere eram aqueles que reuniam maior preocupação. Ao logo da manhã, ambas as ocorrências foram dominadas. O vento acalmou ao longo da madrugada, depois de uma noite de aflição com as chamas a poucos metros da cidade. Os momentos de maior susto aconteceram numa altura em que o fogo já estava dominado. A autarca de Abrantes diz que não houve uma reactivação, mas sim um novo incêndio e reclama que se investigue a origem das chamas. Maria do Céu Albuquerque, a presidente da Câmara Municipal considera que está em causa mão criminosa, já que ao mesmo tempo, foram registados outros reacendimentos. No terreno, mantêm-se centenas de homens e meios para evitar qualquer reacendimento, ainda mais dadas as previsões adversas da meteorologia.
Em Alvaiázere, a noite foi de sobressalto para as populações e de muito trabalho para os bombeiros. Seis operacionais sofreram ferimentos ligeiros. Dois deles tiveram de ser assistidos depois de um veículo florestal ter capotado lateralmente.
Em Cantanhede, estão ainda mobilizados mais de 300 operacionais e quase uma centena de viaturas. O incêndio está em fase de resolução ao início da tarde. O fogo atingiu várias localidades e foi activado o plano municipal de emergência.
RTP Notícias (21h08) – Mais de 70 incêndios deflagraram apenas em três horas da tarde de hoje em vários locais do norte e centro do país, com Coimbra a activar o Plano de Emergência Distrital devido aos fogos.
No segundo "briefing" do dia da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), a adjunta nacional de operações, Patrícia Gaspar, explicou que a tarde de hoje está a dar "muito trabalho" e que às 18:30 foi activado o Plano de Emergência Distrital de Coimbra, onde também foram activados os planos municipais de emergência de Miranda do Corvo, Cantanhede e Coimbra.
Depois de uma manhã mais tranquila, a responsável disse que na tarde de hoje surgiram 25 incêndios entre as 15:00 e as 16:00, outros 25 entre as 16:00 e as 17:00, e mais 23 entre as 17:00 e as 18:00, com Coimbra, Santarém e Aveiro a merecerem maiores preocupações.

6380. Sábado, 12 de Agosto (16h00)



Algumas temperaturas às 16h00
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Tomar (Valdonas) – 39,7 ºC
Portel (Oriola) – 38,3 ºC
Alvega – 38,2 ºC
Viana do Alentejo – 38,2 ºC
Coruche – 38,1 ºC
Mora – 38,0 ºC
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Viana do Castelo (Chafé) – 26,3 ºC
Almada (P. Rainha) – 26,2 ºC
Aveiro (Universidade) – 26,0 ºC
Santa Cruz (Aeródromo) – 19,5 ºC
Cabo Carvoeiro – 18,7 ºC
Cabo Raso – 18,7 ºC
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Fonte: IPMA

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

6379. Os incendiários não são todos iguais



Depois de estudar 65 indivíduos detidos como presumíveis autores de incêndios florestais, o Instituto Superior da Polícia Judiciária e Ciências Criminais (ISPJCC) estabeleceu quatro perfis diferentes em que se poderiam enquadrar todos os incendiários patológicos. Espanha já demonstrou interesse em adoptar a abordagem nacional para desenvolver o seu próprio estudo, que poderá também ser extrapolável para outros países. Estes são os quatro tipos identificados pelos especialistas portugueses.
1. Incendiário expressivo com historial clínico. Indivíduos do sexo masculino, solteiros, entre os 46 e os 55 anos, com poucos estudos e uma profissão muito pouco qualificada, em geral relacionada com o sector agrícola ou o pastoreio. Manifestam alguma perturbação mental, como esquizofrenia ou atraso cognitivo, e provocam incêndios por vingança, frustração pessoal, problemas familiares ou profissionais. O alcoolismo está presente em muitos destes casos, assim como o desconhecimento do alcance das penas pelos seus actos. A probabilidade de reincidência é muito elevada.
2. Incendiário expressivo por atracção pelo fogo. Homem com menos de 20 anos que desencadeia o incêndio pelo prazer de observá-lo. Pode colaborar nas tarefas de extinção ou interessar-se pelos desenvolvimentos. De inteligência superior à média, costuma ser emocionalmente instável, com prováveis situa­ções de abandono ou de abuso sexual na infância, que lhe causaram problemas médicos ou neurológicos. É quase certo que provocou mais de um incêndio, seguindo um padrão específico e bastante elaborado, que cumpre quase como um ritual.
3. Incendiário instrumental por motivos de vingança. Podem ser pessoas de ambos os sexos, inseridas numa faixa etária entre os 36 e 45 anos ou, noutros casos, terem mais de 56 anos. Normalmente, são casados e é raro terem antecedentes penais. Possuem escassa instrução académica e desempenham trabalhos pouco qualificados ou estão mesmo desempregados. Provocam os incêndios por conflitos sociais ou intergrupais, mais do que interpessoais, e costumam contar com o apoio do meio familiar ou de amigos para organizar as suas acções.
4. Incendiário instrumental que utiliza o fogo em busca de algum benefício. Indivíduo do sexo masculino, entre os 20 e os 35 anos, com uma profissão qualificada, embora sem estudos superiores concluídos. Não sofre de distúrbio mental, nem tem antecedentes penais ou cadastro por consumo de estupefacientes. Utiliza métodos muito elaborados para provocar o incêndio e procura sempre não deixar vestígios da sua presença. Provoca o incêndio para retirar benefícios económicos pessoais. Raras vezes regressa ao local do crime e não participa no combate às chamas.
Texto com o artigo completo aqui
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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

6378. VILA REAL: Vários incendiários capturados



A PSP de Vila Real anunciou a detenção de um homem de 61 anos suspeito de ter ateado esta quinta-feira um incêndio perto de Lordelo, numa zona por onde passou também o fogo que deflagrou na quarta-feira, na serra do Alvão. Os polícias foram accionados para a ocorrência, na zona de Lordelo, onde os bombeiros lhes fizeram a entrega "sob detenção" do suspeito que, momentos antes, tinha ateado um incêndio. Segundo disse a PSP, em comunicado, este fogo "não tomou outras proporções devido à pronta intervenção dos bombeiros". O suspeito foi constituído arguido e sujeito a termo de identidade e residência. A PSP entregou o homem à Policia Judiciária, que deu continuidade às diligências de inquérito.
Em Alijó, militares do posto territorial da GNR, identificaram um homem com 65 anos suspeito de atear fogos que ocorreram esta quinta-feira na zona de Favaios. Os militares deslocaram-se ao local da ocorrência do incêndio, "tendo de imediato encetado diligências que permitiram identificar o suspeito como sendo o presumível autor da ignição".
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6377. PORTUGAL CONTINENTAL: Incêndios no interior



A rotação do vento para nordeste sobre o território de Portugal Continental fez que a humidade relativa do ar baixasse significativamente, aumentando assim a probabilidade dos incêndios. Esta situação deverá prolongar-se durante o fim-de-semana. Na imagem de satélite observa-se a área da Grande Lisboa coberta de fumo proveniente do incêndio de Abrantes, onde várias povoações em redor da barragem de Castelo de Bode estão a ser evacuadas de barco. Neste momento várias auto-estradas encontram-se encerradas e a linha ferroviária do sul está também fechada à circulação de comboios.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

6376. INCÊNDIOS: Mais de 500 bombeiros combatem fogo em Abrantes

Um incêndio está a lavrar desde as 18h14 com grande intensidade em Aldeia do Mato, Abrantes, em povoamento misto e com pontos sensíveis junto de habitações, estando a ser combatido por mais de 500 bombeiros. A Estrada Nacional 547 foi cortada devido às chamas.
Em declarações à agência Lusa, a presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, presente no posto de comando, disse que o incêndio está a lavrar "com grande intensidade" e que os meios "continuam a ser reforçados" em Aldeia do Mato, tendo destacado o "vento forte" que se faz sentir no local, as "projecções" e o "cair da noite", que "vai obrigar à retirada dos meios aéreos" do combate às chamas. "Estão seis máquinas de rasto mobilizadas para o local", na zona norte do concelho de Abrantes, uma área de grande densidade florestal e com pequenas aldeias e povoamento cravados na floresta, tendo a autarca referido que "não estão, de momento, casas em perigo". No entanto, referiu, "uma viatura dos bombeiros de Sardoal foi atingida pelas chamas ardeu parcialmente, mas sem feridos a registar".
Segundo o site da Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC), às 23h00 estavam no local 543 operacionais apoiados por 167 viaturas. À mesma hora o incêndio encontrava-se em curso, o que significa, segundo a terminologia da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), que se encontra em evolução, sem limitação de área.
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Fonte: Correio da Manhã

6375. INCÊNDIOS: Câmara de Vila Real aciona Plano de Emergência Municipal



A Câmara Municipal de Vila Real activou o Plano de Emergência Municipal, devido a um incêndio que está a consumir mato e pinhal, desde as 16.30 horas desta quarta-feira, e a ameaçar várias aldeias da Serra do Alvão. O vento forte está a ser o principal obstáculo que os bombeiros e outras forças da Protecção Civil estão a enfrentar. Encontram-se no terreno mais de 400 bombeiros a combater o fogo, com cerca de 120 viaturas.
As chamas começaram junto à aldeia de Paredes e avançaram rapidamente na direcção de Cravelas, Testeira, Outeiro, Relva, Alto de Borbela, Couto e Lordelo. Fonte da autarquia informou que algumas pessoas foram retiradas das aldeias de Couto, Relva e Alto de Borbela, por precaução, por estarem na linha do fogo. Trata-se de idosos acamados, que estão a ser alojados nas instalações do Regimento de Infantaria 13, em Vila Real.
Chegaram a ser mobilizados oito aviões e helicópteros, mas o fumo intenso dificultou a actuação dos meios aéreos que deixaram de operar ao início da noite. O presidente a Câmara, Rui Santos, sublinhou que "não vai ser uma noite fácil porque o vento não está a dar tréguas". "O vento é muito forte, com sentidos variados e com projecções de faúlhas a uma distância considerável e há alguma imprevisibilidade no sentido em que caminhará o incêndio", explicou. Há preocupação com várias localidades espalhadas pela encosta da Serra do Alvão "pela incerteza do vento e dos lados para que onde vai mudando".
Por voltas das 23.45 horas, a Câmara de Vila Real informou, através da sua página do Facebook, que "a ligeira melhoria das condições climatéricas tem permitido que a situação no terreno evolua favoravelmente". "Não há registo de vítimas graves do incêndio que lavra no concelho e não há danos significativos em habitações", acrescentou. O autarca lamentou ainda que os dois focos que deram origem às duas frentes do incêndio, que entretanto se juntaram, tenham surgido ao final da tarde. "É, obviamente, motivo de perplexidade", afirmou.
Rui Santos pediu "calma às pessoas" e deixou a garantia de que "os bombeiros estão a fazer tudo o que podem". Outeiro era, ao início da noite, uma aldeia coberta de fumo e onde os residentes olhavam angustiados para o incêndio que rodeia a Serra do Alvão, com alguns dos seus habitantes concentrados junto a uma das entradas da localidade, expectantes com a proximidade do fogo, que avançava a grande velocidade, arrastado por um vento muito forte.
Muitos dos habitantes retiraram o gado que estava a pastar e trouxeram-nos para a segurança da aldeia na encosta da Serra do Alvão e outros optaram por regar os quintais e os telhados das habitações, para prevenir o alastrar do fogo.
Sandra Borges
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terça-feira, 8 de agosto de 2017

6374. Onda de calor "Lucifer" atinge oito países da Europa



Apelidada de “Lucifer”, uma onda de calor escaldante no Mediterrâneo segue firme nesta semana. O clima é considerado o mais quente na Europa desde 2003, com temperaturas que ultrapassam 40 °C. O Meteoalarm, sistema de alerta meteorológico, emitiu alertas vermelhos para a Itália, Croácia e Hungria, entre os oito países atingidos.
Na Espanha, existem avisos de tempo quente em 31 das 50 províncias do país, e Córdoba atingiu 43 °C. Algumas regiões estão experimentando seca severa e há preocupações sobre incêndios florestais, além da ameaça para a saúde humana.
“Este período prolongado de tempo extremamente quente é particularmente perigoso para as pessoas com problemas cardíacos, de pressão alta e asma, assim como os idosos e as crianças”, disse a Cruz Vermelha.
Em Bordeaux, França, as pessoas mergulharam em fontes públicas para aliviar o corpo e, em Roma, Itália, a onda de calor coincidiu com um colapso dos serviços públicos, incluindo meios de transporte, segundo informações do The New York Times.
Já em Belgrado, Sérvia, grupos defensores de animais recomendam os moradores a colocar tigelas de água fora de seus edifícios e parques para cães de rua. O jornal norte-americano ouviu especialistas, que indicam a tendência de verões cada vez mais quentes nos próximos anos.
Marcos Martins
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Fonte: Panrotas

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

6373. João Corte-Real: “Há técnicos que falam sobre o tempo na TV e não são meteorologistas”



Em entrevista ao Expresso a propósito do Dia Meteorológico Mundial, que se comemora hoje, quarta-feira, João Corte-Real tece fortes críticas ao facto de a Meteorologia se ter transformado “no parente pobre do Instituto Português do Mar e da Atmosfera” (IPMA).
Professor catedrático das universidades de Évora e Lusófona (Lisboa), o académico é também colaborador do Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas (Universidade de Évora) e director do Departamento de Aeronáutica e Transportes da Universidade Lusófona, onde coordena o Centro de Investigação DREAMS.
Para que serve o Dia Meteorológico Mundial?
O dia 23 de Março é a data da fundação da Organização Meteorológica Mundial (23 de Março de 1950), uma agência especializada da ONU. Neste dia, o secretário-geral do ONU propõe sempre um tema científico para todo o ano. O tema deste ano é “Mais quente, mais seco, mais húmido. Enfrentar o futuro”. A 14 de Outubro de 1980, 30 anos depois, foi criado o Dia do Meteorologista e nesta data foi promulgada a lei que regula esta profissão em vários países do mundo, mas isso ainda hoje não acontece em Portugal. Há uma profissão de meteorologista reconhecida em diversos países e se um meteorologista não estiver legalmente creditado, não pode exercer a profissão. Era bom que em Portugal houvesse a profissão reconhecida e as pessoas que a exercem terem de estar registadas como tal.
O tema escolhido pelo secretário-geral da ONU para este ano é importante?
Sim, porque se o clima estiver a mudar, e muito provavelmente estará, pode haver regiões do mundo onde a temperatura seja superior àquela que foi no passado, em média, e regiões que hoje estão mais secas ou mais húmidas. Por isso têm de se tomar medidas de adaptação a essas novas situações e há que enfrentar o futuro.
É por isso que tivemos ontem, terça-feira, uma forte e inesperada queda de granizo sobre Lisboa?
Não foi nada de anormal para a época, embora tenha sido inesperado. Houve uma Linha de Instabilidade sobre a Península Ibérica visível nas cartas de análise e previsão do tempo para a Europa feitas com base nas observações de satélite, radar, instrumentação de superfície e de altitude (balões meteorológicos). Esta Linha de Instabilidade é uma linha ao longo da qual se desenvolvem nuvens cumuliformes (de desenvolvimento vertical), às quais estão associadas precipitação forte, ventos intensos, descargas eléctricas (relâmpagos) e trovoadas. Se a temperatura de zero graus (a chamada isotérmica zero) na atmosfera está a um nível muito baixo, os cristais de gelo formados dentro dessas nuvens, devido ao arrefecimento que pode ser provocado por correntes ascendentes de ar húmido, não derretem e atingem o solo como granizo.
Está preocupado com a situação da Meteorologia em Portugal. Porquê?
Não se pode falar desta situação sem falar da fusão de três instituições — Instituto de Meteorologia (IM), IPIMAR e secção de geologia marinha do Laboratório Nacional de Engenharia e Geologia (LNEG) — que deu origem ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a 20 de Março de 2012. Acho que a situação de Meteorologia em Portugal deve ser alterada e o problema não vem de agora mas de há bastante tempo. Quando existia o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG), a tutela era o Ministério das Obras Públicas e Transportes. Em 1990 deu-se uma situação que considero um erro crasso, que foi a mudança de tutela do INMG para o Ministério do Ambiente. Por causa dessa mudança eu deixei de ser subdirector do instituto.
Mas porque foi um erro crasso?
Porque nessa mudança de tutela deixou de ter financiamento contínuo elevado. A razão da mudança foi política, baseada na ideia de que a meteorologia e a geofísica devem ser integradas nas questões ambientais. Passados alguns anos o INMG transformou-se no Instituto de Meteorologia (IM) e depois no IPMA em 2012, mas nesta última mudança a Meteorologia perdeu autonomia e tornou-se uma espécie de parente pobre no IPMA. A fusão que deu origem a este instituto integrou organismos que tinham muito mais peso do que o IM. Por outro lado, o IPIMAR tratava da biologia marinha, área que não tem a ver directamente com a Meteorologia ou com o clima.
Não é esse o modelo do NOAA, a famosa Administração Nacional dos Oceanos e da Atmosfera dos EUA?
Não, de maneira nenhuma. Se a Meteorologia em Portugal estivesse ligada a uma instituição que tratasse dos oceanos na perspectiva da circulação oceânica, da sua interacção com a atmosfera, etc., faria sentido. Mas no IPMA trata-se só da biologia marinha. E enquanto a área da Meteorologia tem hoje uma dezena de investigadores, a área que pertencia ao IPIMAR tem seis ou sete vezes mais, ou seja, há um grande desequilíbrio. No fundo, não posso aceitar que a fusão que deu origem ao IPMA seja feita à custa da Meteorologia e sem qualquer afinidade técnico-científica.
Isso significa que os objectivos iniciais da criação do IPMA de aumentar a integração das áreas da atmosfera e do oceano, incluindo a análise da perigosidade sísmica, cujas fontes são maioritariamente localizadas no subsolo marinho, não foram alcançados?
São objectivos teóricos que não foram obviamente alcançados. Uma instituição deve operar obedecendo a uma lógica, porque se não vai funcionar mal. E é o que está a acontecer há bastante tempo no IPMA, não é só depois de fusão que lhe deu origem em 2012.
O que deve ter um instituto de Meteorologia para funcionar bem?
Deve ter quatro níveis de operação, cada um dos quais dependendo do bom funcionamento dos anteriores. O nível básico é a rede de observações, que exige equipamentos, a sua manutenção e a calibração de instrumentos. O segundo nível que é a análise e a previsão do tempo em várias escalas, com base em modelos numéricos avançados. Claro que a análise e a previsão só são válidas se houver boa observação (o nível anterior). O terceiro nível é a existência de serviços de informação meteorológica e climática. E finalmente o nível de investigação, designadamente investigação aplicada. Sem estes quatro níveis não haverá Meteorologia nem Climatologia em Portugal.
Todos estes aspectos caracterizam um instituto independente, autónomo, que presta um serviço operacional de base de qualidade ao país. E têm de apoiar-se em tecnologias avançadas de comunicações e cálculo, em laboratórios onde se proceda à calibração e manutenção de instrumentos — neste momento não há nenhum no IPMA — e na formação de técnicos superiores que garantam a integração num corpo profissional.
Esta formação é feita no nosso país?
Não, porque já não há estágios profissionalizantes. A admissão de pessoal técnico superior já nem sequer exige que sejam pessoas que vêm das universidades com formação em Meteorologia. E isso nota-se. Quando oiço certos técnicos superiores falarem na televisão sobre o tempo que vai fazer, noto perfeitamente que não são meteorologistas, estão apenas a repetir frases feitas e, muitas vezes, até a linguagem que utilizam não é uma linguagem de um meteorologista profissional. O que era bom e persistiu durante muito anos em Portugal desapareceu. A ausência de formação existe também nos próprios membros do Governo que tutelam o IPMA. Basta ver que em muitos documentos oficiais aparece a palavra “metereologia”, que não existe.
Os quatro níveis que referiu existem em Portugal?
Existem, cada um deles funciona mais ou menos, mas de forma nenhuma há esta interdependência que tem de existir entre todos os níveis para que o IPMA funcione bem. Com a criação deste instituto em 2012 a situação piorou em relação ao passado, houve uma fusão de organismos sem harmonia, que tornou a Meteorologia o parente pobre do IPMA.
É verdade que nos países desenvolvidos não há nenhum instituto público em que a Meteorologia não seja autónoma?
Que eu saiba, não. Todos estes países têm institutos autónomos, independentes, com os quatro níveis de que falei interligados e que fornecem um serviço de qualidade ao seu país e à comunidade em que se inserem.
O que significa que devido a estas deficiências na Meteorologia feita em Portugal, a contribuição do IPMA para o desenvolvimento do país está muito limitada?
Sim. É uma pena o instituto não funcionar como deveria, com o grau de desenvolvimento adequado dos quatro níveis que referi há pouco. O que se tem passado desde há muitos anos é que a Meteorologia tem sido sede de iniciativas que traduzem ambições pessoais, políticas ou de conveniência, e que assentam sobre a areia. É o caso da passagem da tutela do Ministério das Obras Públicas e Transportes para o Ministério do Ambiente em 1990. Ainda por cima, em Portugal o ambiente e o clima estão fora da Meteorologia, não assentam num instituto de Meteorologia bem estruturado e constituem fundamentalmente temas políticos e não científicos.
Virgílio Azevedo e Tiago Miranda
23 de Março de 2016
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Texto e fotografia: Expresso